As escolas da Guiné-Bissau deverão voltar a ter aulas a partir de segunda-feira, mas os sindicatos de professores e a plataforma dos alunos mostram-se reticentes, apesar de a última palavra ser do Governo.

Franique da Silva, coordenador da Carta 21, plataforma que junta mais de 60 associações de alunos, e António da Costa, porta-voz de quatro sindicatos dos professores, disseram que caberá ao Governo determinar se existem ou não as condições mínimas para a retoma das aulas.

Na análise feita pelas duas estruturas, “muitas escolas” da Guiné-Bissau não oferecem “as mínimas condições exigidas” pelo Ministério da Saúde Pública, designadamente o distanciamento físico e equipamentos para a lavagem das mãos.

Franique da Silva disse à Lusa que as reticências da Carta 21 se baseiam num inquérito levado a cabo em diferentes escolas do país e ainda numa reunião de três dias, realizada recentemente em Bissau, na presença de 52 presidentes de associações de escolas da capital guineense.

O líder juvenil afirmou que a Carta 21 “não tem outra saída”, neste momento, e vai apelar aos alunos para que compareçam nas escolas a partir de segunda-feira, mas avisou que o Governo “será responsabilizado” por qualquer situação de contaminação escolar.

Vamos apelar aos alunos que compareçam nas salas de aulas, mas que levem as máscaras”, declarou Franique da Silva.

O porta-voz de quatro sindicatos de professores (Sinaprof, Sindeprof, Frenaprof e Ciese), António da Costa, disse que os docentes estão prontos para retomar as aulas, desde que o Governo cumpra as condições que estes exigem.

O responsável sindical escusou-se a revelar quais são essas exigências, mas admitiu que “várias escolas nem têm as mínimas condições” para a retoma das aulas, nomeadamente aquelas construídas com colme.

O líder da plataforma Carta 21 disse que quer dar o benefício de dúvida ao Governo, já que, afirmou, vários diretores de escolas têm assumido publicamente que existem condições para a retoma das aulas, mas entende que o melhor seria aguardar até setembro.

Franique da Silva apontou para o início da época das chuvas (entre maio e outubro) e ainda a situação provocada pela pandemia do novo coronavírus como fatores que irão impedir que as aulas decorram normalmente.

Até ouvimos falar na possibilidade de alguns alunos assistirem às aulas dentro de salas de aulas e outros fora, através de projetores de imagens. Queremos ver como vai ser isso com as chuvas”, afirmou o líder da Carta 21.

Para Franique da Silva, o melhor seria retomar as aulas em setembro para serem concluídas em dezembro e o novo ano letivo seria aberto em janeiro do próximo ano.

O líder da Carta 21 lamenta que esta proposta não tenha tido uma resposta do Ministério da Educação.

As escolas na Guiné-Bissau foram encerradas em março no âmbito do combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus, que causa a Covid-19.

A Guiné-Bissau registou até esta sexta-feira um total acumulado de infeções por Covid-19 de 1.842 pessoas, incluindo 26 vítimas mortais e 773 recuperados.

A maior parte dos casos foram registados no Setor Autónomo de Bissau.