Não é uma prática comum no Benfica e nos clubes “grandes” mas, por colocar em causa o bom-nome e a reputação de atletas “que sempre pautaram a sua conduta de forma exemplar”, os encarnados desmentiram de forma oficial mais uma notícia (Pizzi fala mesmo em “constantes publicações sobre eventuais comportamentos pouco profissionais de alguns jogadores”) que dava conta da culpabilização por parte de Bruno Lage de André Almeida, Pizzi e Rafa para a quebra no rendimento da equipa que motivaria também a sua saída do comando técnico um ano e meio depois, onde se falava de planos de trabalho que não eram cumpridos ou do pouco empenho nos treinos.

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“André Almeida e Pizzi, capitães de equipa, cumpriram sempre de forma escrupulosa todo o plano de trabalho, devendo até dizer-se que, num dos casos, o de André Almeida, deslocou-se todos os dias ao Seixal no período em que a competição foi interrompida devido à pandemia, de forma a poder acelerar a recuperação da lesão e estar, assim, disponível para ser utilizado logo que o Campeonato fosse retomado. Mais: é público que André Almeida jogou as últimas jornadas do Campeonato anterior com uma lesão (fratura de stress na tíbia), que viria a ser agravada e a impossibilitar que o jogador iniciasse a temporada 2019/20″, começou por destacar.

“Em relação a Pizzi, os registos individuais dizem que está a realizar a melhor temporada da carreira, com a imprensa a destacar que pode, inclusivamente, estabelecer o recorde de golos para um médio no futebol europeu. Pizzi, tal como André Almeida, cumpre de forma rigorosa todo o trabalho planificado, seja de ginásio ou qualquer outro. Rafa, outro dos jogadores visados na notícia, atingiu com o treinador Bruno Lage o rendimento que nunca tinha atingido no clube, ao ponto de ter voltado à convocatória da Seleção – tendo sido decisivo, como também facilmente se reconhece, na reconquista e no conjunto da temporada anterior, em que apontou 21 golos”, disse ainda, recusando também a ideia de ter existido um “mal-estar” com a chegada de Julian Weigl e de haver “qualquer fratura ou divisão entre jogadores e treinador”, recuperando declarações recentes de Jardel e Gabriel.

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Também os jogadores reagiram à informação nas redes sociais, partilhando o comunicado. “Se há imagem que fui construindo ao longo destes últimos 9 anos de águia ao peito (280 jogos, 15 títulos) foi a da abnegação, entrega total e compromisso com o clube (…) Posso aceitar que se critiquem as exibições e rendimento, que se questione a minha qualidade enquanto jogador, mas não aceito que se ponha em causa o meu profissionalismo, carácter , dedicação e compromisso com o clube, todas as equipas técnicas e staff“, salientou André Almeida.

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“Tenho seis anos de Benfica, já tive o prazer de conquistar dez títulos e fazer 277 jogos de águia ao peito. Aceito e reconheço o direito de todos em criticar as minhas exibições e o meu rendimento, faz parte da nossa vida de profissionais de futebol. Mas não aceito que alguém – sabe-se lá com que intenções – ponha em causa a minha atitude, profissionalismo e compromisso. O presidente, todos os meus colegas, equipas técnicas com que trabalhei e staff que nos acompanham são testemunha disso mesmo (…) Aproveito para reforçar a ótima relação que sempre tive com o mister Bruno Lage e lembrar que foi com ele que atingi o meu melhor rendimento desde que estou no clube”, destacou Pizzi. “Todos no clube sabem o meu profissionalismo e a relação honesta e amiga que tenho com toda a gente e o mister Bruno Lage não era exceção. Pelo contrário, foi com ele que atingi os melhores momentos aqui no Benfica e estarei eternamente grato”, frisou também Rafa.