O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta segunda-feira “uma discriminação positiva” para o setor do turismo, considerando que o Algarve é uma das regiões onde essa discriminação é muito importante.

O turismo em geral, a restauração, hotelaria, os setores ligados ao turismo, merecem uma discriminação positiva e o Algarve é uma das áreas onde isso é muito importante”, disse aos jornalistas Marcelo Rebelo de Sousa antes de um jantar com autarcas em Lagos, distrito de Faro, no Algarve.

Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se num jantar de trabalho com os presidentes de câmara do Algarve para analisar a situação económica motivada pela pandemia da Covid-19 um dos maiores destinos turísticos do país.

O chefe de Estado indicou que, segundo informações que obteve do Governo, este “está a ponderar olhar seriamente para a situação do turismo em termos de emprego no futuro, para além daquilo que já foi anunciado, e está muito atento à situação do Algarve”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que no dia 20, quando a Irlanda divulgar a sua lista de países em risco, “possa traduzir-se numa notícia diferente daquela que se podia temer por influência ou proximidade britânica”.

Questionado sobre a decisão da Bélgica de incluir algumas freguesias da região de Lisboa, e também o Alentejo e o Algarve, na sua lista de locais com risco de contágio pelo novo coronavírus para os seus naturais, o Presidente da República considerou que “é preciso continuar a fazer o trabalho [diplomático]”.

Tratamos de um país e depois trata-se de um outro. Ainda hoje o senhor primeiro-ministro esteve nos Países Baixos e aí tratou da posição holandesa no sentido de uma evolução favorável. Isto tem de ser feito dia a dia, semana a semana, para convencer as pessoas daquilo que é a realidade”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que as pessoas que estão longe não têm noção da realidade portuguesa, revelando que alguns dos seus amigos que estão longe pensam que “está praticamente cercado em Lisboa, sem fazer uma vida normal”.

“Daí ser importante o trabalho dia a dia para convencer as pessoas daquilo que é a realidade”, reforçou.

Na opinião do Presidente da República, o que está a falhar “é a perceção por parte desses países, que à distância estão preocupados com as suas situações e também com o Conselho Europeu que vem aí, e, portanto, não conhecem a realidade portuguesa”.

É preciso explicar bem essa realidade. É isso que tem sido feito pelo Governo e o Presidente da República, na medida possível, também tem apoiado”, destacou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que também queria dar aos jornalistas notícias que são boas: “Ao passar pelo Aeroporto de Faro, ao contrário do que foi dito há uma semana, no sábado passado houve um número apreciado de movimentos, cerca de 120 partidas e chegadas – uma coisa que não havia há tempos imemoriais -, traduzindo-se numa boa notícia, mesmo sabendo-se que os voos que chegavam vinham parcialmente cheios, nomeadamente os de origem em Inglaterra e na Irlanda”.

Mesmo assim, a percentagem, no caso britânico, era de 30% de ocupação do avião, o que quer dizer que há pessoas que desafiam aquilo que é um juízo que não corresponde à realidade nem a um bom senso, porque conhecem Portugal”, adiantou.

Marcelo disse ainda esperar que a retoma “seja um processo ascendente, difícil, lento e complicado, daí estarem todos a puxar no mesmo sentido”, e anunciou que se deslocará semanalmente ao Algarve, “até nos meses de agosto e de setembro, no sentido de dar o seu contributo para o desenvolvimento da região”.