A diretora de serviços do Centro Social de Paderne, em Melgaço, que no passado domingo de Páscoa promoveu o “beijar da cruz” entre 17 dos seus utentes, foi notificada e deverá já esta semana ser constituída arguida, podendo mesmo ser acusada do crime de propagação de doença, escreve esta segunda-feira o Jornal de Notícias.

Como já antes escreveu o Observador, foi Lurdes Gonçalves, a diretora de serviços do lar, quem tomou a iniciativa de improvisar uma Visita Pascal aos 15 utentes que beneficiam do apoio domiciliário da instituição, sendo que quatro deles beijaram a cruz, que foi depois levada para o interior do lar e beijada por outros idosos.

Dentro do lar, o crucifixo foi desinfetado com álcool entre cada beijo. “A intenção era melhorar o estado anímico dos utentes, nunca pensei que as pessoas fossem levar para o lado de querer fazer mal”, disse a diretora de serviços da instituição, à data citada pelo jornal O Minho.

Lares promovem “beijar da cruz” entre idosos apesar da suspensão decretada pela Igreja

O Ministério Público tem pedido às autoridades que efetuem várias diligências, disse ao JN fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo. Nesse sentido, Lurdes Gonçalves deverá ser constituída arguida e já esta semana deverá “prestar declarações nessa qualidade”.

A acontecer, será a primeira arguida no caso que envolve o “beijar da cruz”, episódio que aconteceu nos concelhos de Barcelos, Famalicão, Melgaço e Vila Verde. Os restantes processos ainda se encontram em fase de inquérito — em causa está o crime de desobediência ou de propagação de doença contagiosa.