Desde que Bruno Fernandes chegou a Inglaterra que o impacto do médio português no Manchester United foi imediato. Os golos, as assistências e a melhoria geral na dinâmica de toda a equipa, ainda antes da interrupção das competições, deixou mais de metade da cidade a ansiar pela parceria com Paul Pogba, ainda lesionado. Mas nem nos melhores sonhos dos adeptos do United as coisas estariam a correr tão bem.

Entre assistências mútuas, um entendimento notório e uma boa relação engrossada pelas vitórias consecutivas, Bruno e Pogba têm correspondido a todas as expectativas de Solskjaer e da equipa e têm sido o pilar onde assenta o atual bom momento do Manchester United. A chegada do português, que alavancou o salto de qualidade do grupo, tem tido até um papel preponderante na resolução de um dossiês mais problemáticos das últimas temporadas do clube inglês: a permanência ou a saída do próprio Pogba. Desiludido com a escassez de objetivos, desgastado por lesões e longe da Liga dos Campeões, o médio francês foi recorrentemente associado a uma transferência para o Real Madrid no verão — mas nesta altura, e muito graças a Bruno Fernandes, Pogba parece ter vontade de ficar em Old Trafford.

“Podemos chamar-lhe uma equipa como deve ser. Às vezes, antes disto, se calhar éramos demasiado defensivos ou demasiado ofensivos e não tínhamos este balanço e este controlo. Agora dá para ver que temos esse balanço e há mais estrutura, temos trabalhado muito nisso. A melhoria é gigante e dá para perceber isso. É sempre bom ter essas melhorias mas não queremos parar, sabemos que temos de continuar a trabalhar”, disse o francês ao United Review, acrescentando que a equipa tem agora a mentalidade necessária para voltar a discutir títulos.

“Há muito para fazer, ainda não estamos lá, mas estamos a caminho e se continuarmos a fazer aquilo que estamos a fazer agora, acho que não há nada que nos possa impedir de chegarmos onde devemos estar. Sentimo-nos ótimos. É essa a mentalidade agora”, terminou Pogba, na antecâmara da receção ao Southampton. Um jogo que, graças às derrotas do Chelsea e do Leicester, podia levar o Manchester United para o terceiro lugar em caso de vitória — um terceiro lugar que a meio da temporada não era mais do que uma miragem.

E um terceiro lugar que, depois das notícias da manhã desta segunda-feira, se tornava ainda mais importante. O Tribunal Arbitral do Desporto retirou o castigo da UEFA ao Manchester City, o que significa que a equipa de Guardiola vai estar na Liga dos Campeões das próximas duas temporadas — e que, à partida e antes das decisões da Taça de Inglaterra, o quinto lugar da Premier League pode já não garantir o acesso à Champions e valer apenas uma vaga para a Liga Europa. Ou seja, a equipa de Solskjaer precisava desde já de garantir alguma vantagem para o Chelsea e o Leicester para confirmar uma reta final de temporada muito positiva e o regresso à Liga dos Campeões depois de um ano de ausência.

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Contra o Southampton, o Manchester United teve a primeira oportunidade de golo, com Martial a aproveitar um desentendimento entre a defesa adversária para rematar à baliza (10′), mas não conseguiu controlar os desígnios da partida e permitiu muito espaço ao conjunto de Ralph Hasenhüttl. Os saints, muito confortáveis na zona média da tabela, só precisaram de uma ocasião para abrir o marcador e deixaram Solskjaer com um semblante carregado: Pogba perdeu a bola à entrada da própria grande área, depois de um passe feito à queima por David De Gea, Redmond cruzou já na grande área para o segundo poste e Armstrong teve todo o tempo do mundo para dominar e rematar (12′).

O Manchester United colocou a bola no interior da baliza do Southampton pouco depois mas o lance foi anulado por fora de jogo de Rashford, que marcou depois de um passe de Luke Shaw a partir da esquerda (16′). O golo a valer, porém, não demorou muito mais. Pogba redimiu-se do erro no golo dos saints e soltou um cruzamento largo para Martial, que segurou a pressão e conseguiu assistir Rashford para o empate (20′). Instantes depois, num lance muito rápido de transição ofensiva, Bruno Fernandes abriu em Martial na esquerda e o avançado francês fez um movimento do corredor para dentro para depois rematar forte (23′). Em apenas três minutos, o Manchester United deu a volta ao jogo e voltou a mostrar que é uma equipa com uma perseverança diferente da da primeira metade da temporada, que não desiste dos encontros depois de sofrer um golo e vai sempre à procura da vitória.

Na segunda parte, e já depois de Rashford ter duas oportunidades para aumentar a vantagem, o Manchester United acabou por recuar no terreno e oferecer a iniciativa ao Southampton, já a pensar na meia-final da Taça de Inglaterra, no próximo domingo, contra o Chelsea. Mesmo no último suspiro, quando a equipa de Solskjaer já pensava na sexta vitória consecutiva, Michael Obafemi acabou por empatar a partida (90+6′) e não permitiu a subida do United ao pódio da Premier League, igualando apenas o Leicester no quarto lugar e ficando de fora da zona Champions. Ainda assim, os red devils voltaram a não perder e chegaram aos 18 jogos seguidos sem derrotas, algo que não acontecia há sete anos, desde que Alex Ferguson ainda era o treinador da equipa.