Na Bugatti é tudo à grande. A transmissão é às quatro rodas, o motor é soprado por quatro turbocompressores, a mecânica em si tem “só” 16 cilindros dispostos em W e a capacidade do motor ronda os 8 litros. Mas, com a capacidade que o Chiron tem para pregar “sustos” a quem vai a bordo, o que é perfeitamente aceitável num veículo que atinge na pior das hipóteses 420 km/h, valor que pode chegar a 490 km/h no Chiron mais veloz, o Super Sport 300+, os técnicos da marca acharam melhor sobredimensionar o sistema de ar condicionado.

O ar condicionado basicamente existe para fazer frio, o que consegue comprimindo um gás, que depois se expande absorvendo temperatura, gerando o frio necessário para arrefecer o habitáculo. É o compressor que necessita de mais potência, com os fabricantes a tentarem limitar a potência do dispositivo, pois importa manter os consumos e as emissões baixos.

É claro que isto da protecção ambiental e dos cuidados que devem existir para não penalizar muito a carteira atinge um outro nível quando estamos ao volante de um Chiron que, ainda antes de ter matrícula, o que significa pagar impostos, já exige ao potencial cliente que se despeça de 2,5 milhões de euros. E mesmo na versão mais contida, o consumo médio é de 22,5 l/100 km em NEDC, o que significa que facilmente ronda 30 litros em WLTP, a que correspondem 516 g de CO2/km também em NEDC, valor que no método WLTP deve ultrapassar os 600g.

Tendo presente este nível brutal de potência, consumos e emissões, é mais que natural que o fabricante não se tenha coibido em dotar o Chiron com um ar condicionado à medida. Daí que os técnicos do construtor francês do grupo VW tenham equipado o hiperdesportivo com um ar condicionado com uma potência de 13 cv, o suficiente para arrefecer uma casa – segundo um site da Panasonic, são apenas necessários 3 cv para arrefecer uma casa com 400 m2 –, ou para fazer andar uma moto com motor de 125 ou 200 cc, consoante os casos. Curiosamente, a Bugatti avança números bastante mais conservadores do que a Panasonic.