Mudar significa alterar, transformar, modificar, substituir, renovar, desviar o sentido… tantos sinónimos que cabem numa só palavra. Tantos caminhos para seguir que podem até ser complexos e nem sempre consensuais, mas tal como diz a canção de José Mário Branco, “todo o Mundo é composto de mudança” e, por isso, não podemos fugir dessas etapas.

Os processos de mudança nem sempre são pacíficos, apesar de, na maioria das vezes, até trazerem satisfação. Qualquer que seja a mudança é sempre altamente ponderada. Muitas vezes demandam angústias, pois não se sabe qual o resultado final, outras vezes protelamos a decisão, esperando mais um dia, mais uma semana, mais um mês… ou, por outro lado, temos essa vontade tão consolidada que ninguém nos consegue desviar do caminho.

Apesar de existirem alguns “inimigos” da mudança, como o medo, a resignação ou até a preguiça, no geral, o ser humano convive bem com esses desafios de vida, que vão sucedendo naturalmente com o passar do tempo. Falemos de alguns… Falemos da nossa casa!

Mudar a cozinha ou o quarto para evoluir

A nossa casa… aquele lugar que escolhemos para nos acolher diariamente! É nosso e por isso é muito importante que nos sintamos confortáveis e seguros. Tanto pode ser um apartamento no centro de uma cidade, uma moradia junto ao mar ou aquela casa de família repleta de memórias de infância. E para isso, lá está, por vezes temos de fazer pequenas mudanças para criar o espaço ideal e trazer uma lufada de ar fresco ao novo lar. Porque uma casa só é verdadeiramente nossa quando é a nossa cara!

Todo o mundo é composto de mudança? Entrevista ao psicólogo Eduardo Sá

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Todo o mundo é composto de mudança, como diz a canção?
Todo, Todo! Mas, por estranho que pareça, por mais que não cresçamos sem a mudança, parecemos aceitá-la, unicamente, quando não podemos fugir a ela.

Quais são os grandes entraves à mudança?
O nosso medo do desconhecido! O receio por darmos “saltos no escuro” sem, antecipadamente, termos a certeza que iremos ganhar. É claro que o nosso medo de “ir a jogo” só é possível porque nós imaginamos a mudança num registo demasiado solitário. Como se tivéssemos que ser quase “de betão” perante todos os solavancos que as mudanças nos trazem. Talvez aquilo que nos assuste – vendo bem – não são as mudanças mas a sensação de estarmos sozinhos diante delas.

Quais os benefícios da mudança para o ser humano?
Sem mudanças nunca se cresce! Desde que as mudanças representem transformações. E nunca sejam formas de mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.

Todos temos capacidade de aceitar a mudança?
Não. Na verdade, poucos aceitamos a mudança na perspetiva de quem acredita que o melhor do mundo vem a seguir. Só mesmo esses se entregam à mudança. Os outros – a maioria, talvez – a vivam como um obstáculo às rotinas que entendem como “zona de conforto”. Por mais que isso os aborreça, os “adormeça” ou, mesmo, “mate” devagarinho.

Quantas vezes olhamos para a bancada da cozinha e desejamos: “E se fosse maior…” ou abrimos um armário e suspiramos por mais arrumação? Adaptar o espaço às nossas necessidades e desejos é pois uma alteração muito pensada e que traz grande satisfação quando é concretizada.

O mesmo acontece quando entramos no quarto do filho adolescente e dizemos: “Já não és uma criança…”. Olhamos em volta e no lugar da prateleira com peluches antigos pensamos que seria fantástico ver montada a sua nova coleção de dinossauros. E para isso, mãos à obra, mudar os cortinados, os candeeiros e, quem sabe, até pintar a parede com uma nova cor! Esse espaço irá, certamente, crescer com o adolescente.

Estes são alguns dos momentos de vida em que a mudança está presente. E se a princípio pode estranhar, no final, mudar é mesmo sinónimo de avançar, no fundo para viver mais feliz!