Depois de conhecido o despacho do Ministério Público que avança para a acusação no caso BES, o PCP recordou o facto de ter sido o único partido a votar contra o relatório da comissão de inquérito uma vez que dizem ter considerado, já na altura, “que a resposta era muito mais ampla não só no universo BES, mas também em quadros com responsabilidades políticas ao mais alto nível”, apontou o deputado Duarte Alves durante uma conferência de imprensa esta tarde no Parlamento. Já ao início da noite, numa conversa com o ex-deputado Miguel Tiago — que coordenou o grupo parlamentar do PCP na comissão de inquérito ao BES —, os comunistas frisaram que “as responsabilidades são muito amplas” e que ainda falta apurar “responsabilidades políticas” no que aconteceu.

“Fulanizaram e demonizaram como se Ricardo Salgado tivesse sido o arquiteto de tudo e todos tivessem sido enganados. O Banco de Portugal tentou fazer crer que não estava bem a ver o que se estava a passar, que não conseguiu atuar e que não tinha meios para atuar. É verdade que o Banco de Portugal tem poucos meios, mas o PCP logo nas primeiras comissões de inquérito levou um relatório do auditor externo, de 2001, em que já estavam descritos os principais problemas do banco e que apontava que já estava a ser gerado um desencontro no balanço que fazia com que os capitais fossem negativos e o Banco de Portugal não atuou em nenhum momento ao longo desses 14 anos”, apontou o ex-deputado Miguel Tiago.

O PCP insiste na necessidade de ter no Banco de Portugal equipas para realizar auditorias — “sem prejuízo de auditorias externas” — para impedir que existam auditores a trabalhar para os bancos noutros temas e depois tenham de realizar também auditorias a pedido do Banco de Portugal.

Frisando também a necessidade de nacionalizar a banca, o deputado Duarte Alves notou que a quase totalidade da banca privada em Portugal está já nas mãos de espanhóis algo que, aponta, é uma situação que não está “nas preocupações do Banco de Portugal” que “assume essa concentração em Espanha como perfeitamente normal”. Miguel Tiago acrescentou, durante a conversa transmitida nas redes sociais e no site do PCP, que a concentração da banca em “quatro ou cinco mega bancos na União Europeia” está associada a uma estratégia europeia de concentração e que o PCP tem identificado essa concentração “desde a fundação da CEE”.

“Temos bancos que têm maiores balanços que o PIB dos países onde estão. São demasiado grandes para falir, mas devemos pensar como se permite que existam com essas dimensões”, apontou Miguel Tiago.

Ainda sobre o caso do BES, Duarte Alves não excluiu a hipótese de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar responsabilidades no que diz respeito ao que os comunistas apelidam de “buraco sem fundo” no Novo Banco. “Tem de ser avaliada essa hipótese quando tivermos acesso ao relatório da auditoria. Na altura avaliaremos essa hipótese, mas não colocamos de parte essa possibilidade”, assegurou na conferência de imprensa no Parlamento.