Foi uma vitória esforçada, com um golo marcado ainda na primeira parte e outro já na reta final, com defesas importantes de Vlachodimos e sempre com o receio da recentemente adotada tendência para o abismo. O Benfica venceu o V. Guimarães na Luz e cumpriu tudo aquilo que podia fazer para que o FC Porto não fosse campeão nacional esta jornada, deixando agora entregue aos dragões a tarefa de pontuar esta quarta-feira no Dragão com o Sporting. Uma vitória que garantiu o segundo lugar e a Liga dos Campeões na próxima temporada — mas que acabou por ser um sinal de que a equipa sofreu um abanão significativo com a saída de Bruno Lage e a subida de Nélson Veríssimo.

Florentino, o fantasma do Natal passado que apareceu no dia certo (a crónica do Benfica-V. Guimarães)

Primeiro, desde janeiro que o Benfica não ganhava duas vezes seguidas na Luz para o Campeonato. E se olharmos para as vitórias sem golos sofridos em casa, desde dezembro, com o Famalicão, que os encarnados não conseguiam alcançá-las. Nesse tópico específico, este foi também o primeiro em oito jogos em que o Benfica não sofreu golos — sendo que no último, contra o Tondela, também não marcou e terminou empatado a zeros. Na segunda volta, esta foi apenas a quarta vez que a equipa terminou uma partida sem golos sofridos, uma percentagem de apenas 27% que contrasta com os 71% da primeira volta, quando os encarnados mantiveram a baliza inviolada em 12 das 17 jornadas disputadas.

Numa análise mais individual, Seferovic voltou a marcar na Luz para a Liga 11 (!) meses depois, já que a última vez que tinha assinado um golo em casa para o Campeonato tinha sido na primeira jornada, contra o P. Ferreira, ainda em agosto. O avançado suíço fez apenas o oitavo golo da temporada, depois dos 27 da anterior que lhe garantiram a distinção de melhor marcador da prova. Já Florentino, que não jogava para a Liga desde novembro e não entrava num relvado desde fevereiro, voltou a ser opção para render Weigl na primeira parte e acabou por ser um dos melhores elementos dos encarnados.

No comentário ao jogo e depois de receber o prémio de melhor em campo, Rúben Dias não escondeu a desilusão pelo facto de o título do FC Porto estar praticamente consumado. “Sabe bem receber isto no final do jogo mas tem um sabor agridoce porque o nosso objetivo era muito maior do que isto. Se calhar já vai tarde, será muito difícil. De qualquer das formas, estou feliz pelo jogo de hoje e feliz pela resposta que a equipa continua a dar num momento difícil. É disto que vivemos, do dia-a-dia, do jogo a jogo, dos contextos. Hoje fizemos um bom jogo”, explicou o central português, que referiu depois que o segredo da vitória foi “a equipa funcionar”.

“Se a equipa não funciona, as bombas explodem lá atrás. Por isso, serviu para o Rúben Dias e o Jardel fazerem um bom jogo, tal como os restantes companheiros. É preciso que a equipa como um todo funcione e é preciso que a equipa queira muito vencer. Foi isso que aconteceu, ficámos a zero na nossa baliza e estamos muito felizes”, terminou Rúben Dias. Já Nélson Veríssimo, que somou a segunda vitória em três jogos à frente da equipa, explicou que foi “um jogo bem disputado”.

“Já esperávamos dificuldades, fruto da forma como as equipas do Ivo Vieira jogam. O jogo na primeira parte foi dividido, mas depois ao intervalo, em função do que vimos, mudámos e julgo que na segunda parte estivemos mais por cima do que o Vitória. Foi um jogo com muitas ocasiões para ambas as equipas. Fomos eficazes e ganhámos com justiça”, defendeu o técnico encarnado.