Os vendedores da Feira da Ladra, em Lisboa, decidiram esta quarta-feira criar uma associação, tendo já aprovado por unanimidade a nomeação dos seus representantes, numa reunião no Campo de Santa Clara, na freguesia de São Vicente.

Em declarações à agência Lusa, a porta-voz dos feirantes da Feira da Ladra, Sandra Raposo, disse que não entende o encerramento do mercado e que ninguém é capaz de dar qualquer explicação.

A Feira da Ladra está fechada e ninguém nos explica porquê. Decidimos que vamos abrir uma associação de feirantes da Feira da Ladra, porque não queremos absolutamente nada com a Associação de Feirantes do Distrito de Lisboa (AFDL), não queremos nada com eles. Eles não nos representam. Nunca nos representaram”, salientou.

De acordo com a responsável, há feirantes a passar necessidades e a passar fome.

Nós somos Campo de Santa Clara, freguesia de São Vicente. Não tivemos nenhum foco [de Covid-19] que justificasse o encerramento”, afirmou, adiantando que “a Câmara Municipal de Lisboa tem [outras] feiras de velharias abertas”.

Sem ter alguma perspetiva de retoma, os feirantes questionam também a cobrança das taxas de ocupação, enquanto estão inativos.

As nossas maiores preocupações é não termos informações nenhumas da Câmara Municipal a respeito das reaberturas das feiras e a respeito das taxas de ocupações, que nos estão a cobrar os meses em que nós não fizemos feira. Deveríamos estar isentos e não estamos”, indicou.

Segundo Sandra Raposo, os feirantes de velharias pagam uma taxa de 100 euros por mês e os de artesanato 200 euros.

Com a intenção de apresentar os dois documentos aprovados ao município, os feirantes pretendiam ser recebidos esta quarta-feira por algum representante camarário.

Já fomos à Câmara [Municipal de Lisboa]. Infelizmente, não tínhamos ninguém para nos receber, mas vamos marcar reunião”, avançou Sandra Raposo, reiterando que “um dos documentos é o pedido de reabertura da Feira da ladra e a isenção das taxas de ocupação e outro documento é para a Câmara Municipal de Lisboa reconhecer os representantes que hoje foram votados pelos feirantes”.

De acordo com a responsável, estiveram esta quarta-feira reunidos 105 feirantes junto ao Campo de Santa Clara.

Em 25 de junho, as feiras na Área Metropolitana de Lisboa foram canceladas na sequência da evolução do surto da Covid-19 na região, medida que os feirantes consideram injusta, lembrando que se trata de um espaço aberto e não um centro comercial fechado.

A Câmara Municipal de Lisboa anunciou o cancelamento das feiras na área do município, nomeadamente a suspensão das feiras do Relógio, da Ladra e das Galinheiras.

No comunicado, a autarquia avançou que a medida surgia na sequência da Resolução nº 45-B/2020 do Conselho de Ministros, de 22 de junho, e que a suspensão será mantida “até nova avaliação”.