O Novo Banco decidiu suspender temporariamente os quatro trabalhadores que foram acusados pelo Ministério Público (MP) no caso da derrocada do Grupo Espírito Santo. A notícia, avançada pelo Expresso, foi confirmada pelo Observador. Ao que o Observador apurou junto de fontes do Novo Banco, estão em causa Paulo Ferreira (ex-diretor do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES), Cláudia Boal Faria (ex-diretora do Departamento de Gestão de Poupança do BES), Pedro Serra e Pedro Pinto (ex-funcionários do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES).

A suspensão servirá para o banco analisar se os quatro funcionários em causa (que o Observador ainda não conseguiu apurar a identidade) têm perfil e idoneidade para continuarem a trabalhar no Novo Banco tendo em conta que foram acusados de terem sido alegadamente corrompidos por Ricardo Salgado para implementarem esquemas de financiamento fraudulento do Grupo Espírito Santo com prejuízo dos clientes do BES.

Segundo o Expresso, a decisão de suspender os trabalhadores foi comunicada na quarta-feira, depois de na terça-feira à noite ter sido conhecida a acusação do caso. Deverá estender-se por cerca de três semanas.

A acusação. Anatomia de uma associação criminosa que destruiu o Grupo Espírito Santo

Não está em causa a instauração de inquéritos disciplinares, pois os factos que o MP imputa aos quatro funcionários em causa relacionam-se com a sua atividade no BES — uma instituição de crédito diferente do Novo Banco. Aliás, o Novo Banco nem existia à data dos factos, tendo sido criado no âmbito da resolução do BES determinada pelo Banco de Portugal a 3 de agosto de 2014.

O Ministério Público deduziu na terça-feira acusação relativamente ao caso BES. Ricardo Salgado, figura central do processo, foi acusado de um crime de associação criminosa, 12 crimes de corrupção ativa no setor privado, 29 crimes de burla qualificada, sete crimes de branqueamento de capitais, um crime de manipulação de mercado, seis crimes de infidelidade e ainda nove crimes de falsificação de documento.

Ricardo Salgado acusado de 65 crimes. E quem são as outras pessoas na mira do Ministério Público

Recorde-se que, entre as 18 pessoas singulares acusadas, estão os seguintes sete ex-funcionários do BES:

  • António Soares — ex-diretor do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES e ex-administrador financeiro da seguradora BES Vida
  • Paulo Ferreira – ex-diretor do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES
  • Cláudia Boal Faria — ex-diretora do Departamento de Gestão de Poupança do BES
  • Pedro Costa — ex-funcionário do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES e ex-administrador executivo da Espírito Santo Ativos Financeiros
  • Pedro Cohen Serra — ex-funcionário do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES
  • Nuno Escudeiro — ex-funcionário do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES
  • Pedro Góis Pinto — ex-funcionário do Departamento Financeiro, Mercados e Estudos do BES

Com a exceção de Pedro Costa, todos eles são dados como membros da alegada associação criminosa liderada por Ricardo Salgado. Todos (e aqui inclui-se Pedro Costa) foram acusados de crimes de corrupção passiva no setor privado, burla qualificada e manipulação de mercado.

António Soares, Nuno Escudeiro e Pedro Costa já tinham abandonado o Novo Banco.

Texto atualizado às 15h31m