Milhares de pessoas concentraram-se esta quinta-feira no centro de Sófia, capital búlgara, pelo oitavo dia consecutivo para pedir a demissão do Governo liderado pelo conservador Boiko Borisov, acusado de corrupção no país mais pobre da União Europeia.

Com o lema “A defender a democracia”, os manifestantes marcharam nas ruas da capital da Bulgária, depois de saírem das imediações da sede do Governo, local onde regressaram para terminar o protesto.

Segundo noticia a agência Efe, os manifestantes asseguraram nos últimos dias que apenas irão terminar o protesto quando forem convocadas eleições.

Esta quinta-feira, alertaram que caso o Governo não se demita, o próximo passo nos protestos será o corte de estradas e vias ferroviárias.

O primeiro-ministro búlgaro tem recusado até agora ceder à pressão dos manifestantes, bem como da oposição e do Presidente do país, Rumen Radev, que também exige que o executivo cesse funções.

Boiko Borisov não descarta, contudo, pelo menos promover mudanças importantes no seu executivo.

Na quarta-feira, o governante exigiu a renúncia dos ministros das Finanças, do Interior e da Economia, que foi anunciada esta quinta-feira.

Mas a coligação entre conservadores e ultranacionalistas, que governa a Bulgária desde 2017, decidiu esta tarde “congelar” essas renúncias, segundo adiantaram fontes do executivo à agência Efe.

A equipa do Governo irá manter-se inalterada até à votação, na terça-feira, de uma moção de censura contra o Governo, por corrupção, apresentada na quarta-feira pelo Partido Social Democrata, acrescentaram as mesmas fontes.

Esta moção de censura não deverá ser aprovada, visto que a maioria no Parlamento pertence à coligação que governa a Bulgária, formada pelo GERB, de Borisov, e pela aliança de partidos ultranacionalistas do Patriotic United.

Mudanças no Governo são esperadas após a moção de censura. Será uma grande reforma. Os colegas (do United Patriots) convenceram-me a não fazer mudanças agora”, disse o primeiro-ministro à rádio bTV.

Esta quinta-feira de manhã, a coligação garantiu que não deixará o poder e que não haverá eleições antes do momento previsto, na primavera de 2021.

A tensão política na Bulgária prolonga-se no tempo, devido ao conflito entre o primeiro-ministro e o chefe de Estado.

Boiko Borisov acusou esta quinta-feira novamente o Presidente do país, próximo dos socialistas, de incitar aos protestos e de pôr em risco a estabilidade do Estado.

Durante a tarde de quarta-feira, vários meios de comunicação locais receberam por correio eletrónico um vídeo, aparentemente gravado através de um telemóvel, onde é possível ver grandes quantidades de notas, barras de ouro e uma arma em quartos da casa do primeiro-ministro.

Boiko Borisov acusou Rumen Radev de estar por detrás da divulgação daquelas imagens, assegurando que estas são falsas e manipuladas.