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O treinador do Sporting já tinha constatado: algum dia, a primeira derrota teria de chegar. Ainda não tinha chegado para o clube verde e branco, desde que o antigo jogador do Benfica orienta o rival lisboeta. E também ainda não tinha chegado para ele próprio no campeonato: enquanto treinador, estava ainda invencível na Liga desde que começou a orientar o Sporting de Braga, antes de se mudar para Lisboa.

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Antes do jogo, Rúben Amorim tinha expressado o desejo: não queria que o FC Porto fosse campeão no sofá, por perda de pontos do Benfica frente ao Vitória de Guimarães, porque queria que a sua equipa sentisse a pressão de jogar um clássico com tudo por definir. Depois da derrota, na conferência de imprensa, abordou “a festa do Futebol Clube do Porto” assim:

Já não podíamos vencer [o campeonato], se estivéssemos aqui a lutar pelo título seria diferente. O que o Porto está a viver hoje é o que queremos viver para nós, temos de nos alimentar disso”, apontou.

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Para o técnico, o resultado de 2-0 não traduz o que foi o jogo de esta quarta-feira no Estádio do Dragão: a sua equipa, defendeu, entrou a “ter bola” e “a ter uma oportunidade [golo anulado] logo de início. Depois o F. C. Porto conseguiu equilibrar o jogo, com muitos jogadores por dentro. Também fechámos bem por dentro, tentámos pressionar alto porque tem de ser a nossa matriz”.

De acordo com Rúben Amorim, a chave do jogo esteve numa “bola parada ao início da segunda parte”, que originou o 1-0 para os dragões. “Tentámos ir para cima do FC Porto, até conseguimos, [mas] faltou-nos sempre qualquer coisa para criar mais perigo. Depois o 2-0 é um resultado claramente exagerado para o que se passou e para o equilíbrio que houve”.

Já sobre se jovens como Eduardo Quaresma, Nuno Mendes e Matheus Nunes — mas também Jovane Cabral, Gonzalo Plata ou Luís Maximiano, outros elementos algo inexperientes do elenco leonino — corresponderam à aposta num jogo “a doer”, o jovem técnico manifestou-se confiante: “Fiquei com uma boa impressão”.

Acho que os miúdos estiveram bastante bem. Não gosto de usar esta expressão a toda a hora mas são miúdos. Adaptaram-se muito bem ao jogo, senti-os muito à vontade. Uns jogaram bem, outros não jogaram tão bem mas fiquei com boas sensações do jogo”, acrescentou.

Para Rúben Amorim, “estes jogos são muito importantes” para os elementos mais jovens do Sporting, que estão a dar agora os primeiros passos na equipa principal, “perceberem que às vezes o jogo está equilibrado… nestes jogos e conquistas é preciso isto, um espírito forte. De certeza como treinador podem gostar do meu sistema ou não, mas de certeza a equipa do Sporting vai ter um espírito assim, de empurrar a bola com o espírito, digamos assim. Isso é garantido”.

O técnico colocou muito a tónica no futuro e vincou que agora há que “olhar em frente”: “Temos muito trabalho pela frente, mas sinceramente gostei da forma como eles [os mais jovens] entraram no jogo e como equilibraram o jogo”.

E o clássico disputado com o estádio vazio, sem adeptos, beneficiou ou prejudicou a sua equipa, nomeadamente os elementos mais jovens? “Acho que claramente beneficiou. Conheço bem o ambiente destes jogos, acredito também que teriam este à vontade, pela personalidade deles, mas o público empurra muito as equipas o que neste momento tem a sua força. Acho que seria bom, pelo futebol, pelo jogo e pelo crescimento em si dos miúdos, terem esse fator extra”.