Sindicatos dos trabalhadores dos transportes públicos manifestaram-se esta sexta-feira contra um eventual fim do limite de lotação, admitido pelo Governo, e defenderam um reforço da oferta, assim como o fim do layoff de alguns operadores privados.

Questionados pela agência Lusa, os sindicatos reagiram desta forma a declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, que em entrevista esta sexta-feira à TSF admitiu acabar com o limite de lotação nos transportes públicos, atualmente em 2/3 da sua capacidade.

“Espero que essa intenção não se concretize. Temos a certeza de que um dos veículos do vírus é a sobrelotação dos transportes”, afirmou à Lusa Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans).

A sindicalista que representa sobretudo os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa considera que “não faz sentido proibir ajuntamentos e achar depois que o vírus é seletivo e que não entra dentro dos transportes públicos”.

Aquilo que existe é uma dificuldade do Governo em admitir que tem dificuldade em obrigar os operadores privados a reporem a oferta a 100%”, apontou.

No mesmo sentido, o sindicalista Manuel Leal, que representa os trabalhadores da Carris, alerta para a “oferta reduzida” que existe nos transportes públicos, defendendo o seu reforço, bem como o fim do layoff de algumas empresas.

“É particularmente grave a situação que se vive, em que temos uma oferta de transportes muito reduzida. Para nós, são ilegais as situações de layoff que se verificam, quando o Governo devia garantir o distanciamento social entre os passageiros”, sublinhou.

Na entrevista que deu à TSF, o ministro Pedro Nuno Santos afirmou que “é impossível controlar se os limites estão a ser respeitados” e afirma que “transportes públicos não são o maior problema no contágio da Covid-19”.

O governante ressalvou que Portugal é “dos poucos países da Europa onde há restrições à lotação dos transportes públicos” e que, por esse motivo, a tutela irá equacionar essa medida.