O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil (CDPC) de Vila Real disse esta sexta-feira estar “novamente operacional” o único meio aéreo de ataque ampliado existente no distrito para combate aos incêndios rurais, após queixas pela “retirada forçada”.

Apelamos ao bom senso e felizmente na quinta-feira regressou o meio aéreo e hoje está operacional. Isto demonstra que não nos podemos calar quando a razão está do nosso lado”, vincou esta sexta-feira à agência Lusa Fernando Queiroga.

Na quarta-feira, o presidente da CDPC e da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, revelou que manifestou o seu desagrado junto da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pela “retirada forçada do único meio aéreo de ataque ampliado existente no distrito de Vila Real”, referindo ainda que a região Norte ficou apenas com “dois aviões médios de combate aos incêndios rurais”, que estão sediados em Mirandela.

O autarca explicou na quarta-feira à agência Lusa que o helicóptero pesado afeto ao centro de meios aéreos de Vila Real tinha sido deslocado para Loulé, no sábado, após “ter avariado” o helicóptero sediado naquele território.

O senhor presidente da ANEPC, sem falar com ninguém, deu ordens diretas para que fosse movimentado o meio para Loulé. E nós, com esta vastíssima área e com o número de ignições que temos ficamos sem meio aéreo”, afirmou.

Fernando Queiroga apontou ainda críticas ao concurso para os meios aéreos, feito pelas Forças Armadas, que “não salvaguardou”, no acordo assinado, a necessidade de a empresa repor um “meio aéreo avariado”, considerando que se trata de “uma falha gravíssima”.

O autarca classificou a situação como “inadmissível” e justificou com a “orografia acentuada e a vasta extensão de área florestal existente” no distrito de Vila Real, o “que dificulta a rápida movimentação dos meios terrestres para os teatros de operações”.

Referiu ainda que, “nesta fase crítica de ocorrência de fogos, o ataque inicial através dos meios aéreos é crucial para evitar males maiores”.

Não se compreende esta tomada de posição pelo que solicitamos a reposição urgente do meio aéreo pesado no distrito, de forma a que não fique comprometida a proteção da floresta e a salvaguarda de pessoas e bens”, salientou.

Fernando Queiroga disse também já ter pedido esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna e solicitado a reposição do meio neste território.

O distrito dispõe de dois helicópteros ligeiros e um médio, sediados em Vila Real, Vidago e Ribeira de Pena, para ataque inicial aos fogos florestais.

A Lusa contactou na quarta-feira e sexta-feira a ANEPC, mas não obteve até ao momento esclarecimentos.