A França, Alemanha e Itália admitiram este sábado utilizar um mecanismo de sanções para fazer cumprir o embargo que impede o envio de armas e mercenários para a Líbia. Países como a Turquia e a Rússia têm estado a reforçar as fações em luta e a alimentar o conflito no país.

Numa declaração conjunta, o Presidente francês, Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Ângela Merkel, e o presidente do Conselho italiano, Giuseppe Conte, pediram, sem nomear, “a todos os atores estrangeiros que ponham fim às crescentes ingerências e respeitem plenamente o embargo de armas estabelecido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

Os três líderes europeus, que estão reunidos este fim de semana em Bruxelas com os restantes dirigentes da União Europeia (UE), disseram estar “determinados” em garantir a eficácia da operação naval “Irini” da UE para que se cumpra esse embargo, para evitar “qualquer escalada”.

Essa determinação inclui “um recurso eventual a sanções se as violações do embargo por mar, por terra e pelo ar continuarem”. E disseram aguardar com expetativa as propostas do alto representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell.

Os três dirigentes disseram estar preocupados com o aumento das tensões militares na Líbia e com o risco de “uma escalada regional”, e apelaram a todas as partes envolvidas no conflito e aos seus “apoios estrangeiros” que cessem “imediatamente” os combates.

Além de apoiarem a ação da ONU no quadro das negociações do chamado Comité 5+5, instaram este grupo a “explorar todas as ações para reduzir tensões”, incluindo “uma eventual desmilitarização de certas regiões”.

E insistiram que é preciso que o secretário-geral da ONU nomeie rapidamente um representante especial para a Líbia.

No passado 10 de junho ocorreu um incidente entre uma fragata francesa que tentava controlar navios turcos suspeitos de violarem o embargo e de transportarem carga proibida para a Líbia e um navio de guerra turco que os protegia.

No final de março, a UE anunciou o lançamento da operação “Irini” no Mediterrâneo, destinada a garantir a implementação do embargo de armas à Líbia decretado pelas Nações Unidas, através de meios aéreos, marítimos e por satélite.

A decisão de lançar a operação militar ‘Irini’ – palavra grega para “paz” – havia sido acordada a nível político pelos chefes de diplomacia dos 27 em 17 de fevereiro e foi adotada em 31 de março pelo Conselho, entrando em vigor a 01 de abril, anunciou na altura Josep Borrell.