A 17 de julho de 1955, os Estados Unidos e o mundo assistiram à abertura da Disneyland, o primeiro parque de diversões temático dos maiores estúdios de animação do país, o único projetado pelo próprio Walt Disney. Os hectares eram os mesmos que a data que agora se celebra — 65, ocupados por arruamentos, carrosséis, restaurantes, edifícios e cursos de água artificiais projetados no terreno comprado pela companhia em 1953.

Walt tinha, na altura, 52 anos. Entusiasmado com os parques de diversões que já havia visitado com as filhas Diane e Sharon, começou por conceber a construção de uma atração turística na cidade californiana de Burbank. O espaço, que atualmente alberga os estúdios de animação da Walt Disney bem como os estúdios da ABC, não era suficiente e a grande e derradeira empreitada arrancou em 1954, já na propriedade de Anaheim, no mesmo estado.

Sem água, no primeiro dia bebeu-se Pepsi

O economista Harrison Price foi uma peça chave no planeamento do novo parque, que embora tenha inaugurado para imprensa e convidados a 17 de julho, só no dia seguinte abriu portas ao público em geral. O evento do primeiro dia ficou envolto em polémica — apenas cerca de metade das 28 mil pessoas que lá estiveram tinha sido de facto convidada. As restantes falsificaram bilhetes, outras saltaram as vedações do recinto para serem as primeiras a experimentar as 20 atrações disponíveis.

?Disneyland Park? à Anaheim

O Mad Tea Party, a mais icónica diversão da Disneyland, em 1979 c Marc TULANE/Gamma-Rapho via Getty Images

O segundo dia, marcado pela abertura do parque ao público, não correu melhor. As temperaturas atingiram os 38 graus e uma greve de canalizadores fez com que os responsáveis tivessem de escolher entre ter as casas de banho operacionais e fornecer água potável ao visitantes através de chafarizes espalhados pelo parque. A escolha recaiu sobre a primeira funcionalidade. Com o evento de abertura patrocinado pela Pepsi, a Disneyland foi acusada de ter desativado os pontos de água para promover a venda de refrigerantes.

Khrushchev. Recebido por Sinatra, mas sem pisar a Disneyland

Setembro de 1959 ficou para sempre registado na história das frias relações entre os Estados Unidos e a União Soviética. Acompanhado da mulher, o secretário-geral do Partido Comunista Nikita Khrushchev, aterrou no país governado por Eisenhower no dia 15 desse mês. Cumpridas as formalidades entre os chefes das duas nações mais poderosas do mundo, houve tempo para cumprir alguns desejos.

Numa visita de um dia, a comitiva soviética rumou a Los Angeles para conhecer os estúdios Twentieth Century Fox, em Hollywood. O desejo de Khrushchev foi uma ordem e para recebê-lo foi destacado Frank Sinatra. Shirley MacLaine e Juliet Prowse presentearam o líder sexagenário com um número de dança retirado do filme “Can-Can”, que só chegaria às salas de cinema no ano seguinte.

O cantor e ator levou o governante a almoçar, imediatamente antes de os ânimos começarem a azedar. Spyros Skouras, presidente dos estúdios de cinema, não terá sido o melhor dos anfitriões. A disposição de Khrushchev não melhorou. Um dos seus maiores desejos era visitar a Disneyland, mas as autoridades norte-americanas não o permitiram por considerarem que a multidão que seria atraída pela sua presença no parque poderia comprometer a segurança do chefe de estado.

Nikita Khrushchev

Nikita Khrushchev durante o discurso de desapontamento por lhe ter sido negada uma visita à Disneyland © Bettmann Archive

“Está a haver alguma epidemia de cólera ou assim? Ou estão lá grupos criminosos para me destruir?”, reagiu o líder soviético de forma intempestiva. Sem cumprir o sonho de mergulhar no mundo encantado da Disney, Khrushchev deixou a Califórnia no dia seguinte.

Do assassinato de Kennedy à Covid-19. O parque de portas fechadas

Durante décadas, a Disneyland foi palco de visitas de estado e de momentos de lazer protagonizados por políticos e estrelas de Hollywood. Mas em mais de seis décadas de história, houve também episódios que forçaram o encerramento inesperado do parque. No passado mês de maio, a pandemia fez com que o recinto fechasse por tempo indeterminado. Mesmo após a reabertura da Disneyland Paris e com a do parque de diversões da Florida prevista para este fim de semana, na Califórnia, o regresso das diversões voltou a ser adiado, ainda sem nova data.

Além deste, foram cinco os momentos em que o parque de diversões se viu obrigado a fechar. O primeiro aconteceu em novembro de 1963, após o assassinato do presidente John F. Kennedy. Em agosto de 1970, um aceso protesto contra a Guerra do Vietname chegou às imediações da Disneyland, conduzindo igualmente ao encerramento do parque.

Na reta final do ano de 1987, o encerramento deveu-se a uma tempestade que provocou um intenso nevão nesta região da Costa Oeste dos Estados Unidos. Em janeiro de 1994, um sismo de magnitude 6,6 abalou a região de Northridge, em Los Angeles. Sem danos graves, o parque encerrou sobretudo por precaução e também para dar lugar a inspeções aos equipamentos. Em 2001, a prevenção voltou a ditar o encerramento da Disneyland, dessa vez na sequência dos ataques do 11 de Setembro.

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