A Coreia do Norte afirma estar a desenvolver uma vacina para combater a infeção pelo novo coronavírus, apesar de insistir que não tem qualquer caso de Covid-19. De acordo com a Yonhap, a agência sul-coreana de notícias, a Comissão da Ciência e Tecnologia já testou a vacina em animais e está a delinear os procedimentos para avançar para testes em humanos.

A página desta Comissão afirma que a imunogenicidade da vacina — isto é, a capacidade de desencadear uma resposta imune no organismo —já foi confirmada em ensaios clínicos desenvolvidos em animais ao longo deste mês. Se assim for, os ensaios clínicos deveriam avançar para testes em humanos, mas não são conhecidos dados sobre a segurança do fármaco.

Segundo a descrição norte-coreana, a vacina tem como alvo o recetor — o ACE2 — que o SARS-CoV-2 utiliza para infetar as células. A maior parte das vacinas que estão a ser desenvolvidas neste momento ensina o organismo a reconhecer as proteínas na superfície do SARS-CoV-2, que lhe dão um aspeto coroado — a proteína S —, mas a vacina da Coreia do Norte alegadamente neutraliza o recetor celular para impedir que o vírus se ligue a ele.

O problema é que a Coreia do Norte diz não ter casos de Covid-19, o que compromete a avaliação da eficácia da vacina. Por norma, para testar uma vacina, os cientistas usam dois grupos de pessoas: um que recebe o fármaco, outro que recebe um placebo. Ao fim de algum tempo, algumas dessas pessoas já terão contactado com o vírus e corrido o risco de infeção. É nesse momento que os cientistas calculam se as pessoas vacinadas ficaram ou não mais protegidas do que as outras. Mas se o vírus não estiver em circulação, isso invalida a avaliação.

A ser verdade que a Coreia do Norte, que tem uma economia frágil e um sistema de saúde pouco desenvolvido, está realmente a testar uma vacina contra a Covid-19, Joshua Berlinger, jornalista da CNN na área de geopolítica, defende que este anúncio é “uma combinação de medo genuíno do vírus e uma tentativa de convencer os norte-coreanos de que o líder Kim Jong Un, mais uma vez, enfrentará o desafio e protegerá seu povo”.