Os passageiros vindos de países considerados de risco que chegaram a Portugal sem um comprovativo de teste negativo à Covid-19 foram encaminhados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para as autoridades de saúde responsáveis pela realização de testes nos aeroportos, disse esta quarta-feira a secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira. Aqueles que o recusaram fazer foram identificados pelo SEF “para posterior contacto desses cidadãos pelas autoridades de saúde e posterior seguimento”. Ainda assim, são casos “residuais”, acrescentou a responsável, na conferência de imprensa sobre a situação da pandemia em Portugal.

Diário de Notícias tinha adiantado que há passageiros vindos dos PALOP, Brasil ou dos EUA, países considerados de risco, sem apresentarem um teste negativo a que a lei obriga. O jornal acrescentava que há mesmo passageiros que recusam fazer o teste no aeroporto — no sábado, foram, pelo menos, 106 num voo vindo de Maputo — e que, mesmo assim, entraram no país, apenas informando as autoridades sobre a morada e o contacto. Segundo Jamila Madeira, foram, porém, poucos os casos em que isso aconteceu.

“Sequelas acontecem num número reduzido de pessoas”

Na conferência de imprensa, o subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, avançou ainda que os “reportes de campo” já realizados apontam para que haja um número reduzido de pessoas que apresentam sequelas da Covid-19. Há médicos a acompanhar a situação e consultas especializadas para o efeito. Segundo o responsável, até agora “têm sido reportadas sequelas” — não referiu quais –, mas ainda não se sabe nem a “dimensão” nem a “duração” das mesmas.

O que nos parece neste momento, dos reportes de campo, é que as sequelas acontecem num número reduzido de pessoas. Não temos ainda números. Vamos ter de esperar e deixar passar algum tempo para conseguirmos perceber se vai haver sequelas ou não”, disse.

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Quanto à discrepância entre o número total de infetados e a respetiva distribuição por concelhos (há cerca de 5.000 casos que não estão identificados na lista por concelhos), Diogo Cruz responde que, na distribuição concelhia, não são mencionadas as notificações laboratoriais (que têm em conta o local onde o teste é feito), mas apenas as médicas (que já têm em conta o local de residência do doente).

“Os casos não estão perdidos, só não os estamos a colocar no boletim. Porquê? Por um motivo prático. Estamos a tentar notificar o mais rápido possível para ser o mais transparente possível todos os casos que temos. Assim que entra uma notificação contamos como um caso. A notificação laboratorial pode entrar por defeito como o sítio onde está o laboratório sediado a fazer o exame”. Por isso, explica, chegaram a haver concelhos que diminuíam o número de casos.

“Os doentes entravam para um concelho que tinha a ver com o sítio onde o laboratório estava e no dia a seguir quando a autoridade de saúde contactava o doente, o doente mudava de sítio”, dado que a morada era noutro concelho. Para evitar estas oscilações, a DGS optou por apenas inserir na lista os casos em que “a autoridade da saúde já mudou as notificações médicas”. Os casos “não estão perdidos”, garante.

Diogo Cruz adianta ainda que as juntas médicas de incapacidade passaram para as administrações regionais de saúde e “já todas, no final do mês passado, se reiniciaram”.

Além do Victan, “não existe neste momento nenhuma carência digna de registo” nas farmácias

Na terça-feira, o Infarmed anunciou que o medicamento Victan, prescrito a pessoas que sofrem de problemas de ansiedade, não está disponível nas farmácias e que apenas será reposto, possivelmente, no quarto trimestre deste ano. “Nos diálogos com a empresa foi sinalizada uma indisponibilidade temporária de abastecer o mercado. Daquilo que o Infarmed informou, estão a desenvolver todos os esforços para repor esse abastecimento”, adiantou Jamila Madeira.

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“Neste momento, é preciso garantir que existe terapêutica alternativa. A Comissão Nacional de Farmácia e Terapêutica, através do Infarmed, também comunicou que cabe aos profissionais de saúde sinalizar qual essa alternativa.”

Quanto aos medicamentos de maior consumo, “temos uma reserva estratégica de medicamentos e equipamentos. Esses medicamentos estão todos monitorizados e acompanhados. Não existe neste momento nenhuma carência digna de registo.”

Os responsáveis foram ainda questionados sobre a data de reabertura dos centros de dia. A matéria, diz Diogo Cruz, “compete ao ministério do Trabalho”, com quem a DGS está a articular a “formulação de uma orientação”. Os centros de dia implicam “um grupo de pessoas de risco significativo”, alerta.

Surto na Lisnave. 12 funcionários testaram positivo

Diogo Cruz referiu também que foram testados 72 funcionários no estaleiro da Lisnave, em Lisboa, sendo que 12 deram positivo. Dentro do navio, os membros da tripulação testados até ao momento deram negativo.

Questionado sobre se a vacina da BCG pode ser usada contra a Covid-19, o subdiretor-geral da Saúde respondeu que os ensaios clínicos bem feitos demoram anos, “não se fazem em meia dúzia de meses”.

“A OMS está a acompanhar dois ensaios dos quais ainda não temos resultados finais, nem sequer preliminares”, acrescentou. A DGS também está a “acompanhar” estes dados.