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A Alemanha, que é um dos países que sempre defendeu auto-estradas gratuitas e sem limites de velocidade, excepto em casos pontuais, deseja impor portagens em todas as auto-estradas como forma de diminuir as emissões poluentes.

Esta não é a primeira vez que os germânicos querem que os utilizadores paguem portagens. Há cerca de um ano, os alemães tentaram fazer passar uma lei nacional que visava obrigar os visitantes estrangeiros a pagar uma determinada portagem sempre que usavam as suas auto-estradas. Como seria de esperar, e apesar de a Alemanha ser o maior país europeu e o maior contribuinte para as contas da União Europeia (UE), o tribunal europeu decidiu que a medida aplicável só a estrangeiros representava uma importante violação das leis da UE.

O grande defensor das portagens como forma de diminuir as emissões, basicamente reduzindo o número de utilizadores e o número de quilómetros percorridos em auto-estrada, é o ministro dos Transportes, Andreas Scheuer, que pretende taxar automóveis, furgões e camiões, deixando apenas de fora os autocarros e os transportes públicos. O projecto dos alemães, que pretendem ver aprovado durante a sua liderança do Conselho Europeu, é implementar a medida durante os próximos oito anos.

Se bem que esta seja a vontade do Governo alemão, nem todos estão a bordo do projecto. A começar pela chanceler Angela Merkel, que sempre se opôs a portagens nas auto-estradas, certamente porque isso pode desviar tráfego para as estradas normais, mais estreitas, mais lentas e mais perigosas.

Resta aguardar para ver como este episódio vai terminar, uma vez que os alemães, como os maiores contribuintes europeus, têm sempre uma forma de pressionar os seus colegas da UE.

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