O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, repudiou esta quinta-feira as “acusações falsas” ao país em matéria de liberdade de imprensa, recusando qualquer interferência no despedimento, quarta-feira, do diretor do maior portal de notícias independente húngaro.

O editor de um órgão de ‘media’, em mãos privadas, foi demitido. Pergunta-me, como representante do Estado húngaro, o que penso sobre isso. Na sua aceção o Estado deveria intervir quando entidade privada toma decisões? Rejeito […] Na Hungria isso é inaceitável”, disse Szijjártó numa conferência de imprensa em Lisboa.

O ministro húngaro respondia a uma pergunta sobre o despedimento, na quarta-feira, de Szabolcs Dull, diretor do maior portal de notícias húngaro, Index.hu, que há cerca de um mês tinha alertado que a independência do portal estava em risco devido à pressão do executivo nacionalista.

Estou sempre a ouvir acusações falsas” sobre a liberdade de imprensa na Hungria, prosseguiu o ministro, assegurando que “ninguém consegue identificar qual é a lei” húngara que limita a liberdade de imprensa.

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Péter Szijjártó afirmou que, pelo contrário, os ‘media’ húngaros são “maciçamente” críticos do governo liderado por Viktor Orbán.

Não conseguimos identificar nenhum segmento dos ‘media’ que não esteja contra posições governo. A ‘media’ digital é maciçamente contra o Governo, o maior diário político também, o maior canal televisivo, igual, e o semanário mais lido também é maciçamente contra o Governo”, afirmou.

“Para nós é inaceitável que um país seja permanentemente atacado com base em perceções e não em factos”, concluiu.

O ministro húngaro falava numa conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, que o recebeu em Lisboa para uma reunião consagrada às relações bilaterais e temas da agenda europeia e internacional.