A quebra de apenas 7% das dádivas de sangue no primeiro semestre de 2020, muito marcado pela pandemia de Covid-19, surpreendeu o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), admitiu esta sexta-feira a presidente do organismo, Maria Antónia Escoval.

Foi também uma surpresa, porque no início da pandemia implementámos um conjunto de medidas que alteravam muito os nossos procedimentos e apelámos aos nossos dadores. Estamos sempre condicionados pela resposta que os dadores possam dar e não é que nos surpreenda, mas foi uma resposta espetacular. Os nossos dadores não tiveram receio e corresponderam às necessidades do país”, afirmou à Lusa.

Os números apresentados pelo IPST no lançamento da nova campanha, intitulada “Dê Sangue – Ajude a Vida a Vencer”, foram alcançados ao abrigo de um plano de contingência implementado em março para garantir a segurança e a sustentabilidade da dádiva durante o surto do novo coronavírus. Com a permanência do SARS-CoV-2 na realidade portuguesa no médio prazo, Maria Antónia Escoval confirmou a manutenção dos cuidados especiais.

Vamos manter os procedimentos que estamos a adotar, quer para a segurança da transfusão, quer para a segurança dos nossos profissionais e dadores. Iremo-nos adaptando ao evoluir da situação e vamos atualizando o plano de contingência. No que se refere à segurança de dadores e profissionais, neste momento não podemos alterar as normas que foram instituídas”, explicou.

Todavia, a presidente do IPST anunciou também uma “nova atualização” ao plano de contingência em agosto e que vai consistir “na adequação de algumas normas de segurança para dadores e para profissionais, na atualização do critério de cura – porque ainda se considerava a cura após duas análises por RT-PCR negativas -, e na atualização aos procedimentos de colheita de plasma convalescente”.

Sobre a utilização do plasma de doentes recuperados da Covid-19, a líder do organismo público realçou-a como “uma opção para o tratamento” e enfatizou o significado da constituição de um grupo de peritos para o acompanhamento desta investigação clínica e que reúne elementos do IPST, da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Ricardo Jorge.

Seguimos todos os passos que tinham de ser seguidos. Disponibilizámos um procedimento, neste momento temos acesso às análises, nomeadamente à realização dos anticorpos neutralizantes, e vamos fazer uma [análise], dentro do âmbito da lei da investigação. Penso que todos os passos foram tomados para que venhamos a ter sucesso”, referiu, considerando ser “muito prematuro” definir um horizonte temporal para a apresentação de resultados.