O grupo parlamentar do PCP questionou o Governo sobre a ameaça de despedimento coletivo de pelo menos 200 trabalhadores, caso não aceitem a saída voluntária da empresa, no âmbito do processo de reestruturação, foi esta sexta-feira anunciado.

Face à atual situação da empresa, sobretudo em relação à situação dos seus trabalhadores, o grupo parlamentar do PCP endereçou uma pergunta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e ao Ministério do Ambiente e Ação Climática no sentido de obter um conjunto de esclarecimentos sobre esta situação”, informou.

Em causa está o plano de reestruturação da Galp, para fazer face aos efeitos da pandemia de Covid-19, que aponta para a saída voluntária de pelo menos 200 trabalhadores.

Um plano a que cinicamente chamou ‘social'”, considera o grupo parlamentar do PCP, acrescentando que é exigido aos trabalhadores em causa respostas num curto prazo de tempo, “num processo de chantagem patronal inaceitável”.

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Numa pergunta enviada aos referidos ministérios, com data de 13 de julho de 2020 e assinada pelos deputados Duarte Alves e Diana Ferreira, são pedidos esclarecimentos ao Estado, enquanto segundo maior acionista da Galp, sobre a ameaça de despedimentos e a “aplicação de alterações nas funções dos trabalhadores com impactos negativos nas suas condições de remuneração”.

O PCP lembra que a Galp distribuiu dividendos no valor de 577 milhões de euros aos seus acionistas, há dois meses, o que considera a continuação de “um processo de anos sucessivos de brutal acumulação de lucros e de descapitalização da empresa”.

A Galp é um dos parceiros privilegiados do Estado em vários projetos ligados à transição energética, suportados em argumentos de responsabilidade social. Considera o Governo a atitude da empresa aqui exposta, como responsável e socialmente sustentável?”, questiona o grupo parlamentar do PCP.

No pedido de esclarecimentos ao Governo, o PCP refere ainda que a Galp tem recorrido cada vez mais à subcontratação e aos prestadores de serviços para ocupar postos trabalhos permanentes, diminuindo os trabalhadores efetivos e aumentando a taxa de exploração.

Mais, o PCP argumenta que essa política criou uma “sobrecarga de trabalho muitas vezes ilegal”, que coloca em risco a segurança das instalações industriais e a saúde dos trabalhadores.

Por fim, o grupo parlamentar do PCP refere ainda um processo de despedimento coletivo em curso contra seis trabalhadores da Petrogal, que entende não só atacar “os direitos mais elementares” destes trabalhadores, como destinar-se a aumentar a pressão chantagista sobre os restantes.

As vendas de produtos petrolíferos da Galp caíram 45% no segundo trimestre do ano em relação ao período homólogo, de acordo com um comunicado da empresa enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em 13 de julho.

De acordo com o ‘trading update’ divulgado pela Galp Energia, SGPS, SA, as vendas de gás natural a clientes diretos caíram 38% em relação ao período homólogo e 27% relativamente aos primeiros três meses do ano, enquanto as de eletricidade baixaram 14% no segundo trimestre em termos homólogos e 25% relativamente ao primeiro trimestre do ano.

No documento, a empresa sublinha que “as vendas de produtos petrolíferos, gás natural e eletricidade a clientes diretos refletiram os efeitos da queda significativa da procura causada pelas medidas de contingência adotadas” devido à Covid-19.

Em abril, aquando da apresentação de resultados do primeiro trimestre, a Galp já tinha alertado para a quebra abrupta na procura por causa da pandemia, anunciando que, por isso, estava a desenvolver iniciativas para reduzir o investimento e as despesas operacionais em mais de 500 milhões por ano em 2020 e 2021 face ao plano de investimento anteriormente anunciado.

No final de junho, a dívida líquida da Galp situava-se em 1,9 mil milhões, uma subida face aos 1,5 milhões registados em final de março.

A Galp refere que o aumento da dívida líquida reflete “as distribuições de dividendos efetuadas durante o trimestre”.

As margens, os preços, a produção e outra informação referida no documento de 13 de julho devem ser considerados provisórios, uma vez que os números finais serão divulgados em 27 de julho de 2020.