O presidente do parlamento da Madeira, José Manuel Rodrigues, afirmou esta sexta-feira que o “grande problema” da região, face à crise gerada pela Covid-19, será a “dolorosa transição” até receber as “verbas prometidas” e a sua aplicação produzir efeitos.

Esta crise, nesta primeira fase e em função da escassez de dinheiro, põe à prova a nossa capacidade de resiliência e de sacrifício, mas numa segunda fase, com os apoios financeiros anunciados, impõe-nos que tenhamos ousadia e coragem para aperfeiçoar o nosso modelo de desenvolvimento económico”, disse.

José Manuel Rodrigues, que ocupa o cargo de presidente da Assembleia Legislativa da Madeira por indicação do CDS-PP, na sequência da coligação com o PSD, falava na abertura de um ciclo de reuniões do Conselho Consultivo da Economia, designado “Ouvir para Decidir”, que decorre até quarta-feira (29 de julho) no salão nobre do parlamento, no Funchal.

O responsável vincou que são necessários “investimentos reprodutivos e com retorno económico ou social”, mas alertou o eventual atraso no acesso às verbas, isto numa altura em que o Orçamento Suplementar da região – que adiciona 287 milhões de euros aos 1.743 milhões iniciais – foi aprovado e, por outro lado, o país vai dispor de 45 mil milhões de euros por via do Fundo de Recuperação e de subsídios do orçamento da União Europeia a longo prazo.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

José Manuel Rodrigues salientou que o modelo de desenvolvimento da região deve assentar na “qualidade e excelência” e defendeu “o aprofundamento da Autonomia”, a aprovação de “uma nova Lei das Finanças das Regiões Autónomas” e a criação de “um quadro fiscal atrativo aos capitais e ao investimento externo”.

O Conselho Consultivo de Economia foi criado pelo secretário regional de Economia, o centrista Rui Barreto, e visa recolher contributos das associações empresariais regionais, organismos e departamentos governamentais de todos os setores, bem como dos empresários que queiram participar e contribuir para a elaboração do Programa de Recuperação da Economia da Região Autónoma da Madeira.

O caminho que conduzirá ao plano deve ser traçado em conjunto, não sendo responsabilidade exclusiva do Governo Regional, deve ser trilhado por todos os agentes com responsabilidade”, afirmou Rui Barreto, reforçando que será uma “tarefa dura e árdua”.

A Madeira registou até ao momento um total de 102 casos de infeção por Covid-19, dos quais 95 recuperados e sete ativos.