O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) disse esta sexta-feira que a prioridade atual é que sejam asseguradas as condições necessárias no regresso às aulas, sem pensar ainda no que fazer se as orientações não forem revistas.

O que nós queremos não é pensar o que fazer a seguir, é que isto seja resolvido”, disse Mário Nogueira, explicando que a preocupação dos representantes dos docentes é que sejam criadas condições de segurança sanitária para o regresso às aulas presenciais em setembro.

Nas últimas semanas, a Fenprof tem sido crítica das indicações da Direção-Geral da Educação, da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a retoma das aulas presenciais no próximo ano letivo, considerando que a segurança da comunidade educativa não está assegurada.

O país está sob um conjunto de medidas que são importantes, e as escolas não podem ser o espaço onde essas medidas não se vão verificar”, afirmou o dirigente sindical, sublinhando que as escolas são “um espaço de contágio como outro qualquer”.

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Mário Nogueira falava aos jornalistas junto à Direção-Geral da Saúde (DGS), onde alguns dirigentes da estrutura sindical estiveram esta sexta-feira para solicitar uma reunião com a diretora-geral sobre as orientações para a reabertura das escolas em setembro.

A reunião que nós pretendemos tem também o objetivo de saber até que ponto é que a DGS valida ou não as orientações que estão a chegar às escolas relativamente às condições de segurança sanitária a verificar quando for a abertura”, disse o secretário-geral.

Algumas das medidas previstas para o regresso às aulas presenciais são incompreensíveis para os professores, em particular, no que respeita ao distanciamento físico, que deverá ser de um metro “sempre que possível”.

Sobre este ponto, o dirigente sindical afirmou que a maioria das escolas não tem condições para assegurar este distanciamento que, na sua opinião, é desde logo reduzido, em comparação o previsto para o regresso dos alunos do ensino secundário, em maio, que deviam manter entre si uma distância de, pelo menos, 1,5 metros.

Como é que se pode dizer que as aulas, no próximo ano, irão abrir com as turmas a manter a mesma dimensão e com os alunos a ficarem a um metro de distância se possível?”, questionou, acrescentando que acredita que essa distância seja reduzida a centímetros na maioria dos casos.

Esta não foi a primeira vez que a Fenprof pediu uma reunião à DGS, tendo já enviado pedidos noutras duas ocasiões, em 10 e 17 de julho.

À saída das instalações, Mário Nogueira afirmou que a autoridade de saúde concordou em aceder ao pedido dos representantes dos professores, com a marcação de uma reunião que deverá decorrer até ao final da próxima semana.

O secretário-geral aproveitou também para responder a algumas vozes críticas, que acusam a Fenprof de não querer a retoma do ensino presencial, considerando as exigências, dizendo que se trata precisamente do oposto.

É que quanto maiores forem as facilidades com que se encara o início do próximo ano, mais difícil será conseguirmos que, nessa altura, os alunos estejam nas escolas”, explicou, recordando o que aconteceu na reabertura das creches e jardins-de-infância, que voltaram a funcionar com uma afluência reduzida.

“Nós queremos que todos os alunos vão, mas para isso é preciso que as famílias sintam que há segurança nas escolas”, acrescentou.