A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) exigiu esta sexta-feira o fim do layoff na Rodoviária do Alentejo para que seja reposto o transporte público às populações e a totalidade do salário dos trabalhadores da empresa.

Para bem dos trabalhadores, mas, sobretudo, para bem das populações, exigimos que termine o layoff na Rodoviária do Alentejo”, empresa do Grupo Barraqueiro, afirmou à agência Lusa Anabela Carvalheira, da FECTRANS.

A dirigente sindical falava à margem de uma ação pública, em Portalegre, junto às instalações da empresa, promovida em conjunto com a União dos Sindicatos do Norte Alentejano, que contou com a presença da secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.

Anabela Carvalheira disse que a Rodoviária do Alentejo já “anunciou o prolongamento do layoff até agosto de 2021″, pelo que as populações vão continuar “completamente isoladas e sem qualquer tipo de transporte publico”.

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Por outro lado, a sindicalista vincou que a manutenção do layoff  significa que os trabalhadores da Rodoviária do Alentejo ficam “num regime que, infelizmente, lhes reduz o salário em montantes demasiado elevados”.

O salário ilíquido destes trabalhadores, tendo em conta o seu horário de trabalho, que deveria ser de oito horas, mas é, muitas vezes, de 10, 12 e 14 horas, não tem isso em conta e, com o layoff, pagam apenas 66% do salário base, o que significa uma redução de quase 50%”, disse.

Segundo a dirigente da FECTRANS, o layoff “é apenas aplicado sobre o salário base”, mas “os trabalhadores do setor rodoviário de passageiros têm mais rubricas, como agente único, diuturnidades e, em particular, o tempo suplementar”.

Não é tempo suplementar feito com caráter esporádico, mas sim com sistematicidade, uma vez que as chapas de circulação dos autocarros não têm atribuído um serviço de oito horas, têm atribuído diariamente serviços com 10, 12 e 14 horas”, realçou.

Anabela Carvalheira admitiu que “do ponto de vista do turismo haverá menos pessoas” a utilizar os transportes, como os Expressos, devido à pandemia de Covid-19, mas sublinhou que “as populações estão a trabalhar e precisam de transporte público”.

Algumas das cerca de 30 pessoas que participaram no protesto empunhavam cartazes onde se podia ler “O país precisa de mais transportes rodoviários de passageiros”, “Layoff não” e “Mais transportes para garantir maior proteção dos utentes”, entre outras palavras de ordem.