A Câmara Municipal de Tondela apresentou esta sexta-feira o programa cultural “Que bicho é que nos mordeu”, a decorrer em todo o concelho a partir de sábado e até 27 de setembro, um investimento de cerca de 90 mil euros.

O objetivo é acima de tudo quebrar algum isolamento, até mais afetivo, é dar oportunidade àquelas que continuam a investir na sua formação, nas escolas de música e canto, nas artes e no teatro, a terem um momento de partilha para com os outros. Este é o grande propósito”, esclareceu o presidente da Câmara Municipal de Tondela.

José António Jesus insistiu que “o objetivo não é substituir festas, não é fazer animações de rua ou evocar festividades populares, porque infelizmente o tempo que se vive não permitirá isso”.

Em conferência de imprensa de apresentação da programação, o autarca frisou que ao longo de dois meses foram “ensaiadas várias variáveis e esta foi a possível.

Há uma grande fatia da atividade cultural popular que não conseguimos aqui integrar, como os ranchos, as tocatas, por razões que todos compreenderão. Um rancho para atuar teria de ter um momento de proximidade e isso não quisemos, nem poderíamos”, justificou.

José António Jesus avisou que perante o cumprimento das normas estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), como o distanciamento social, “há obrigatoriedade de as pessoas fazerem uma pré-marcação dos espetáculos, apesar de serem gratuitos”.

Claro que vai haver pessoas que vão questionar o porquê de não poderem estar, mas não vamos quebrar o princípio que é nuclear, porque queremos que corra bem dentro das limitações a que estamos obrigados. Se for preciso, repetimos o espetáculo”, admitiu.

O programa cultural envolve três instituições do concelho, “que são o pilar deste programa”.

Serão 71 ações multidisciplinares, com cerca de 150 pessoas envolvidas, explicou o vereador da Cultura e “cada uma delas aceitou o desafio da autarquia para circularem no concelho”.

A Casa do Povo de Tondela apresentou duas propostas com o grupo coral e um espetáculo de música e poesia que funciona em espaços menos convencionais, tal como a Sociedade Filarmónica Tondelense, que também tem duas ações distintas”, anunciou Miguel Torres.

Uma delas é a “Banda Filarmónica por inteiro em quatro espetáculos e depois têm outras sete apresentações num desafio lançado pela autarquia, de distribuir a sua banda em pequenos naipes para pequenas animações em diferentes espaços informais”.

A ACERT tem quatro ações diferentes com o espetáculo Terra, que o Trigo Limpo Teatro Acert estreou a 12 de junho, o 20 Dizer, que é de música e poesia, o Filmos, que é um filme do Charlie Chaplin musicado ao vivo e outra pequena ação à volta de uma cadeira gigante e serão 36 espetáculos de cerca de 10 minutos”, contou.

José António Jesus acrescentou ainda que este programa “é um modelo que procura levar algum espaço que fuja de um confinamento, até emocional, com que muitas pessoas estão a viver” e deixou o aviso que “se não houver condições de segurança de saúde para se realizar o espetáculo ele não acontecerá”.