A greve dos trabalhadores de bilheteiras e revisores da CP – Comboios de Portugal levou à supressão de 58% dos comboios programados entre a meia-noite e as 22h00 desta sexta-feira, disse à Lusa fonte oficial da empresa.

De acordo com a mesma fonte, entre as 00h00 e as 22h00, “realizaram-se 42% das circulações programadas”, uma percentagem que corresponde, em números absolutos, a “530 comboios, num total de 1.251 programados para o período”, o que faz com que o número de comboios suprimidos tenha sido de 721, correspondente a 58% das circulações programadas.

A mesma fonte oficial da empresa ferroviária adiantou à Lusa que os “serviços mínimos estão a ser cumpridos”, tendo também sido “realizados alguns comboios adicionais”.

“De facto, os mínimos previstos eram de 412 comboios, foram realizados 530”, indicou ainda a fonte, adiantando que os mais afetados “continuam a ser os de longo curso e regionais”.

Até às 16h00, a greve desta sexta-feira causou a supressão de 474 comboios, o que correspondia a 59% dos que estavam programados, de acordo com dados da empresa.

Fonte oficial da CP disse à agência Lusa que, entre as 00h00 e as 16h00, circularam 325 comboios dos 799 que estavam programados para o mesmo período, ou seja 41%.

O presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luis Bravo, disse à Lusa que a adesão dos trabalhadores à greve desta sexta-feira “está a ser praticamente total e quase só estão a circular comboios ao abrigo dos serviços mínimos decretados, que eram 25%”.

Com a greve nacional de 24 horas, os trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP – Comboios de Portugal pretendem que a empresa retire a proposta de regulamento de carreiras que apresentou, que consideram humilhante.

Segundo Luís Bravo, os trabalhadores não aceitam a “extinção, por fusão, das categorias de revisor e de operador de venda e controlo da bilheteira”, considerando que se “mistura o conteúdo funcional das categorias, quando um trabalhador itinerante não tem nada a ver com um trabalhador fixo de uma bilheteira ou vice-versa”.

O sindicato também considera inaceitável “a extinção de carreiras para onde os trabalhadores podiam progredir, como a de técnico comercial 1 e 2”, e pede a mediação negocial do ministério da tutela.

Esta sexta-feira de manhã, a CP disse que a proposta apresentada era “um ponto de partida” para negociação e que não pretende “extinguir as categorias de operador de revisão e venda, e operador de venda e controlo”.