No último dia da Premier League, o Liverpool era com toda a certeza a equipa mais descansada em Inglaterra. Com o título conquistado e já levantado, a equipa de Jürgen Klopp visitava o Newcastle sem contas para fazer mas com alguns recordes que ainda poderia quebrar: eram dois, que os reds poderiam juntar aos sete já alcançados e aos outros dois que já estavam fora do horizonte.

Em resumo, e contra o Newcastle, o Liverpool podia tornar-se a equipa a ser campeã em Inglaterra com a maior diferença para o segundo classificado: isto se vencesse e o Manchester City não ganhasse ao Norwich, terminando a temporada com mais 21 pontos do que a equipa de Guardiola e pulverizando o recorde dos próprios citizens, que em 2017/18 foram campeões com mais 19 pontos do que o Manchester United. Depois, tinham a oportunidade de igualar o maior número de vitórias de uma equipa numa única temporada da Premier League, com 32, as mesmas que o Manchester City registou há dois anos. Certo é que, e independentemente daquilo que acontecesse em Newcastle, o Liverpool já não conseguiria chegar aos históricos 100 pontos do City (no máximo, chegaria aos 99) e às 16 vitórias fora de portas da mesma equipa na incrível temporada de 2018.

À porta de um mercado de transferências atípico, Klopp já tinha anunciado que Adam Lallana iria deixar o Liverpool no final da temporada, algo que o avançado confirmou na semana passada, e não abriu a porta a novas contratações. No último dia de uma época histórica, entre a conquista do Mundial de Clubes e da Premier League mas já fora da Liga dos Campeões e da Taça de Inglaterra, o treinador alemão voltava a ser notícia mas devido às qualidades que apresenta no padel. “O Jürgen é fanático. E é bom. Mas nunca lhe dizemos que é o melhor em voz alta, senão começa a andar por aí como o Conor McGregor. Luta por cada ponto, com uma grande concentração. Mesmo quando estou a ganhar, consegue enervar-me. Por isso, quando consigo vencê-lo, faço questão de que toda a gente no clube saiba”, contou Pep Lijnders, holandês que é adjunto de Klopp e também já passou pelo FC Porto, em referência ao conhecido festejo de McGregor.

Na última jornada da Premier League, Klopp não colocava nem Salah, nem Mané nem Firmino no onze: jogavam Minamino, Origi e Oxlade-Chamberlain no trio de ataque, enquanto que James Milner aparecia na zona intermédia e Alexander-Arnold também era substituído por Neco Willimas na direita da defesa. Contra um Newcastle com a manutenção garantida e tranquilo na tabela, o Liverpool ficou em desvantagem logo durante o primeiro minuto. Depois de uma falta logo nos segundos iniciais, Shelvey lançou Dwight Gayle e o avançado abriu o marcador à saída de Alisson (1′). O jogador inglês marcou o golo mais rápido de todas as derradeiras jornadas da Premier League e também o golo mais rápido que o Liverpool sofreu esta época.

Van Dijk reduziu ainda na primeira parte, com um cabeceamento depois de um cruzamento perfeito de Oxlade-Chamberlain (38′), e Origi deixou a partida praticamente sentenciada no quarto de hora inicial do segundo tempo, através de um remate de fora de área em que fica a ideia que o guarda-redes Dubravka poderia ter feito algo mais (59′). Firmino, Salah, Mané e Alexander-Arnold ainda entraram e o avançado senegalês ainda foi a tempo de fechar as contas, com um remate extraordinário que não deu qualquer hipótese ao guarda-redes do Newcastle (89′).

Nas contas finais da Premier League, o Liverpool chegou à 32.ª vitória da temporada, igualando o recorde do Manchester City, mas viu a equipa de Guardiola golear o Norwich e falhou a conquista da liga inglesa com a maior diferença de sempre. Sem qualquer pressão associada e já com o título levantado, o Liverpool terminou a época mais importantes dos últimos 30 anos com mais uma vitória, com mais três pontos e com mais um sorriso de Klopp. Vai faltar a Liga dos Campeões, de onde já está arredado, mas o treinador alemão tem motivos para se sentir “o melhor” e andar como Conor McGregor.