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Um árbitro com mais de 20 anos de carreira no principal escalão do futebol português, um campeão da Europa com mais de 20 anos de carreira ao mais alto nível. Este sábado, com o apito final do jogo entre o Sp. Braga e o FC Porto, ambos terminaram a carreira. Jorge Sousa e Eduardo, árbitro e guarda-redes, despediram-se dos respetivos percursos no Municipal de Braga.

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O árbitro do Porto, que depois de Carlos Xistra foi o segundo árbitro internacional português a terminar a carreira no final desta temporada, garantiu que a decisão foi tomada “de forma ponderada”. “Pensei muito, nada foi feito a correr. Temos de pensar na nossa carreira e nas condições que temos para oferecer ao jogo, à arbitragem e ao futebol. Olho para as competências e valências de um árbitro. Acho que em 80 ou 90% ainda estou na plenitude das minhas capacidades. Nas outras sinto que já não posso oferecer ao jogo o que o jogo precisa. É preciso coragem e assumir que mais vale ficar por aqui. Temos jovens que vão ser o futuro e depois de 27 anos, 19 dos quais nas competições profissionais, digo que é o momento certo”, disse o antigo árbitro internacional, sublinhando que acredita que “acrescentou valor a prestigiou a arbitragem”.

“Estamos tão focados no jogo, no nosso trabalho que o apito final é apenas o final de mais um jogo. Ainda não estou a digerir muito bem. Estou aqui numa situação inédita, pareço um jogador ou treinador, só me falta o prémio de homem do jogo. Ainda não tenho a verdadeira noção de que acabou. Quando estamos focados no nosso trabalho e no jogo, chegamos a um ponto em que nos abstemos de tudo. Nunca me passou pela cabeça de que é o último. Só por estar aqui [na flash interview] é que acho que algo está fora do normal”, disse, entre risos, Jorge Sousa.

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Já Eduardo, que foi homenageado antes do apito inicial mas não chegou a cumprir qualquer minuto, confirmou que vai integrar a estrutura do Sp. Braga a convite de António Salvador. “Apesar de ainda me sentir bem para jogar e de ainda ter mais um ano de contrato. Vou integrar a estrutura por convite do presidente. Não é fácil, mas estive sempre disponível para ajudar. Aconteceu agora, o presidente falou comigo e acho que posso ajudar mais noutras funções. O Sp. Braga tem investido muito e este tipo de conquistas elevam o clube, os jogadores e os adeptos”, disse o guarda-redes.

“É um sentimento de dever cumprido. Apesar de todas as condicionantes, chegamos ao fim com uma grande época feita. Atingimos o terceiro lugar, tivemos uma boa prestação na Liga Europa e vencemos a Taça da Liga. É disto que este clube precisa e vamos tentar continuar a engrandecer este clube. Tenho muito orgulho naquilo que foi a minha carreira, na forma como foi construída. As minhas medalhas são o respeito que tenho pelos clubes que representei. Tentei ser digno e sério e vou passar isso aos meus filhos. Faltou ser campeão com o Sp. Braga, mas espero atingir esse objetivo noutras funções”, terminou o antigo internacional português, que foi campeão da Europa com a Seleção Nacional em 2016.