Teve início na quarta-feira passada a terceira fase das obras de conservação e restauro do Complexo Arquitetónico do Mosteiro de Santo André de Ancede, no município de Baião. A cerimónia de arranque da empreitada, num projeto de Álvaro Siza Vieira, contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca. O monumento, que está na posse da câmara municipal desde 1985, celebra este ano 900 anos da sua mais antiga referência conhecida.

As obras, um investimento de 1,6 milhões de euros, 988 mil euros dos quais com origem em fundos comunitários, terão uma duração estimada de 15 meses e irão incidir sobre zonas do complexo atualmente em ruína. No decurso das mesmas, serão reabilitadas quatro áreas do Mosteiro de Santo André (os Claustros, a Ala Poente, a Ala Nascente e a Ala Sul) e criados quatro gabinetes, espaços para exposições, permanentes e temporárias, e um auditório.

O projeto de restauro é da autoria de Siza Vieira, que defende um conceito de ruína consolidada, isto é, onde é possível ver muitas das marcas da passagem do tempo. O arquiteto já tinha trabalhado no complexo arquitetónico em 2012, quando o espaço do mosteiro foi requalificado, e mais recentemente nas obras de restauro do adro da igreja. De acordo com informações fornecidas pela Câmara Municipal de Baião ao Observador, entre 2000 e 2017, foram investidos cerca de 2 milhões de euros no complexo arquitetónico.

Para Paulo Pereira, presidente da Câmara de Baião, estes investimentos, embora “importantes” e “expressivos” no contexto da dimensão do município, ficam “um pouco aquém” dos sonhos da autarquia. No discurso que fez durante a apresentação da terceira fase das obras de conservação, o autarca admitiu que, na câmara, “estamos já preparados para, no que depender de nós, aproveitarmos todas as oportunidades em sede de reprogramação do atual Quadro Comunitário ou já do próximo. Temos, assim, projetos prontos para requalificação da Igreja, do edifício dos Celeiros, ou para o parque de estacionamento, entre outros”.

Aproveitando a presença da ministra da Cultura, Paulo Pereira chamou a atenção para outros pontos de maior fragilidade, nomeadamente a “estabilidade da Cerca do mosteiro, estando um pedido de intervenção em análise na Direcção-Regional de Cultura do Norte. A outra refere-se à necessidade de obras urgentes na Igreja – que tem inspirado grandes cuidados ao senhor padre Francisco – e cujo investimento só poderá avançar em função da existência de linhas de apoio comunitárias ou estatais”.

O Mosteiro de Santo André de Ancede está na posse da Câmara Municipal de Baião, concelho de grande interesse cultural (é neste município que fica, por exemplo, a Fundação Eça de Queiroz), desde 1985, quando foi comprado à família do barão de Ancede, que o tinha adquirido em hasta pública em 1834, na sequência da extinção das ordens religiosas em Portugal. Entre a aquisição do complexo pelo barão e a compra da câmara, o espaço teve várias usos: foi uma quinta, uma escola, um armazém e até uma serração.

A sua história é, contudo, muito anterior a 1985. Não se sabe ao certo quando é que o mosteiro terá sido fundado, mas é certo que remonta a um tempo anterior à fundação de Portugal. A referência mais antiga que se lhe conhece é de 1120, quando pertencia já à Diocese do Porto e estava ligado aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1141, recebeu a carta de couto de D. Afonso Henriques e, na segunda metade do século XVI, o edifício e todos os seus bens, privilégios e rendimentos foram integrados no património do Convento de São Domingos de Lisboa.

O Mosteiro de Santo André foi considerado monumento de interesse público em 2013 e desde 2010 que integra a Rota do Românico, juntamente com outros dois monumentos de Baião — a ponta de Esmoriz e a Igreja de Valadares. O site da Rota do Românico oferece uma visita virtual ao complexo arquitetónico, aqui, assim como a ouros monumentos que fazem parte da rota.