Várias cidades norte-americanas foram palco de manifestações anti-racismo que culminaram em momentos de tensão, violência e até na morte de uma pessoa em Austin, estado do Texas. Garrett Foster, 28 anos, morreu baleado durante uma manifestação do movimento Black Lives Matter no sábado à noite. Um vídeo que transmitia o protesto em direto no Facebook sugere que Garrett Foster morreu quando o condutor de um carro abriu fogo contra o grupo de manifestantes enquanto buzinava insistentemente. A polícia deteve um suspeito, indica o USA Today.

Vigil Held In Austin For Man Shot And Killed At BLM Protest

Em Austin, a vigília por Garrett Foster. Créditos: Getty Images

Em Aurora, nos subúrbios de Denver, no Colorado, um carro atingiu uma multidão que se manifestava contra o racismo nos Estados Unidos. Nesse momento, um dos manifestantes abriu fogo e atingiu uma pessoa, que foi levada para o hospital e está em condições estáveis. O condutor foi detido e o automóvel foi apreendido. A polícia está a investigar.

John Lewis e um movimento que não para

O protesto pedia justiça por Elijah McClain, um homem de 23 anos que morreu em agosto do ano passado à porta da sede do Departamento Policial de Aurora. Elijah, que estava a caminho de casa, foi detido por alegadamente usar uma balaclava de ski e agir de forma “estranha”. Morreu seis dias depois de ter sofrido um ataque cardíaco na sequência de uma injeção de um anestésico (a cetamina) pela própria polícia.

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Protests Continue Against Aurora Police Department Over Death Of Elijah McClain

Manifestantes levantam os punhos num gesto adotado pelo movimento Black Lives Matter. Créditos: Getty Images

Em Oakland, no estado norte-americano na Califórnia, os protestos anti-racismo foram marcados por um incêndio deflagrado no Tribunal Superior do Condado de Alameda. As autoridades utilizaram o Twitter para confirmar os relatos: alguns dos manifestantes destruíram as barricadas montadas em redor do tribunal, vandalizaram o espaço e atacaram os agentes da polícia “com fogo de artifício e outros projéteis perigosos” que terão estado na origem do fogo. Várias pessoas foram detidas.

Os protestos em Oakland foram uma forma de apoio às milhares de pessoas que, em Portland, saíram à rua após ter sido recusado o pedido de Oregon para restringir as ações dos agentes federais quando prendem pessoas durante as manifestações. Havia uma multidão em frente ao tribunal federal. A certa altura, o edifício foi atingido por um dispositivo pirotécnico, o que levou as autoridades a lançar gás lacrimogénio contra os manifestantes. Uma pessoa foi esfaqueada e levada para o hospital. Há um suspeito detido.

Protesters In Oakland Gather In Solidarity With Portland Activists

Manifestantes em Oakland juntam-se num protesto contra o racismo e a brutalidade policial. Créditos: Getty Images

Em Louisville, estado do Kentucky, viveram-se momentos de tensão quando duas milícias rivais, ambas com indivíduos armados, se aproximaram na baixa da cidade. De um lado estavam os NFAC, naturais de Atlanta, que desde março pedem justiça por Breonna Taylor, uma técnica de emergência médica de 26 anos que morreu após ter sido baleada por agentes da polícia na própria casa.

Do outro lado, os “Three Percenter”, um grupo de extrema direita.  De acordo com os relatos da polícia, três membros dos NFAC foram baleados durante as manifestações e levados para o hospitais sem ferimentos graves. Não há suspeitos. De resto, os dois grupos nunca chegaram a entrar em confronto. Acredita-se que o tiro tenha sido acidental.

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Os dois grupos enfrentam-se e a tensão aumenta. Créditos: Getty Images

Em Seattle, estado norte-americano de Washington, a polícia considerou os protestos como uma rebelião depois de vários grupos terem começado a atirar pedras contra os agentes, vandalizar o comércio de rua e a iniciar focos de incêndio na cidade. Depois de um sábado com manifestações tranquilas, as autoridades avisaram a população dos “riscos de segurança pública” causados pelos protestos violentos em Seattle e pediu aos cidadãos que permanecessem em casa.

Tudo isto acontece dois meses após da morte de George Floyd sufocado por um agente da polícia que o deteve e colocou o joelho em cima do pescoço do homem para o manter imóvel, ignorando as queixas de que não conseguiria respirar. O caso despertou uma série de manifestações anti-racismo, sobretudo em contexto de violência policial, nos Estados Unidos e no resto do mundo.

Transcrição policial diz que George Floyd avisou cerca de 20 vezes que não conseguia respirar