Cerca de três dezenas de casas de fado consideram-se excluídas do apoio financeiro dado pela Câmara de Lisboa à Associação de Casas de Fado da capital, e questionam os critérios da autarquia, em mensagem divulgada esta quarta-feira.

Na quinta-feira, é decidido pela Câmara um novo apoio de 500 mil euros, a atribuir à Associação de Casas de Fado de Lisboa (ACFL), e os representantes das casas que se consideram excluídas dos apoios, que constituiram espontaneamente a União das Casas de Fado (UCF), vão manifestar-se, pelas 14h30, em frente aos Paços do Concelho.

Nós já tínhamos questionado quais os critérios para a atribuição da [anterior] verba de 200 mil euros, conforme anunciado em abril, e pedimos por escrito um esclarecimento à Câmara, que não recebemos”, disse à agência Lusa Clara Sevivas, da casa típica Coração de Alfama, uma das integradas na UCF e que, na quinta-feira, se vai manifestar na praça do município.

Em abril, a Câmara de Lisboa criou um programa de “apoio imediato” às casas de fado da cidade e aos seus artistas, no valor de 200 mil euros.

Sevivas afirmou esta quarta-feira que “há uma clara falta de critérios na atribuição dos apoios financeiros” e realçou: “Nem foi aberto qualquer concurso”.

Deste apoio de 200 mil euros foi-nos dito que privilegiaram ‘as casas mais emblemáticas’ e antigas, mas só 22% delas são as mais antigas. Há outras [entre as apoiadas] que abriram há poucos meses. E o que significa emblemático?”, questionou.

Sevivas citou Maria Argentina, presidente da Associação de Comerciantes do Bairro de Alfama, segundo a qual foram dados apoios a casas “que já mudaram de nome e até de ramo de negócio, deixaram de apresentar fado e dedicaram-se a petiscos; e uma está à venda”.

Segundo a mesma fonte, “todas estas questões foram já colocadas por escrito à vereadora da Cultura [Catarina Vaz Pinto], ao presidente [da autarquia] Fernando Medina e à diretora do Museu do Fado, Sara Pereira”.

Quanto a uma possível entrada para a nova ACFL, que congrega 16 estabelecimentos (de 11 entidades), “pode ler-se nos seus estatutos que ‘a admissão de novos associados compete à direção sob proposta de três associados efetivos'”, disse.

A empresária qualificou a ACFL como “um clube fechado”.

Este ramo de negócio “vive momentos difíceis, mas se há apoios é para todos”, enfatizou Clara Sevivas.

Entre as 25 casas de fado, que se consideram “excluídas”, contam-se no bairro de Alfama, o restaurante S. Miguel D’Alfama, Fama d’Alfama, Esquina de Alfama, Baiúca, Adega dos Fadistas, Viela de Alfama, Boteco da Fá, Fermentação, Grandes Cantorias, Fora de Moda, Portas de Alfama, Bohemia Sé, Coração de Alfama, e “há ainda casas no Bairro Alto, Mouraria e outras zonas de Lisboa”, e empregam mais de 240 pessoas, entre elas, artistas.