O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, disse esta quarta-feira que houve falhas “na diplomacia económica”, referindo-se à não inclusão de Portugal nos corredores turísticos de vários países, nomeadamente o Reino Unido.

Nunca fomos fortes na diplomacia económica, e custa-nos um bocado a perceber que não se tenha feito mais, nomeadamente com os corredores turísticos britânicos, no que diz repeito, concretamente, às duas regiões para onde eles gostam mais de se deslocar, como sejam a Madeira e o Algarve que têm situações, há bastantes dias, extremamente positivas”, disse esta quarta-feira Francisco Calheiros à saída de uma reunião no Palácio de Belém com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da CTP defendeu que Portugal deveria “atacar, no bom sentido” os mercados turísticos dos países que mais lhe interessam, como o britânico, “que é 30% das dormidas do Algarve” e o “melhor cliente” de Portugal.

Teríamos que fazer tudo o que é humanamente possível, desde trazermos cá todos os jornalistas, levarmos lá os epidemiologistas, explicar a situação em que estávamos”, disse Francisco Calheiros, afirmando, em forma de exagero, que se teria que “mudar o Governo para Londres” e não sair da capital britânica “até isso se recuperar”.

O responsável do setor do Turismo considerou “fundamental que Portugal volte a ganhar a sua imagem de segurança que sempre teve” para ser incluído em mais corredores turísticos que dispensem quarentena no regresso ao país de onde são provenientes os turistas.

Não podemos desarmar, independentemente de não ter grande impacto para o verão – o verão está perdido – esta imagem de que não somos um país seguro para vir… temos de acabar com ela”, vincou o presidente da CTP.

Francisco Calheiros aconselhou ainda “cuidado” com as declarações feitas relativamente aos países que não incluem Portugal nos seus corredores turísticos, lembrando que “eles é que são os clientes”.

Questionado sobre se o mercado interno poderá compensar a ausência de visitantes do estrangeiro, Francisco Calheiros disse que isso não acontecerá “de maneira nenhuma”.

Em temos normais o turismo interno são 30% das nossas dormidas. E vamos ser claros, há uma crise”, disse o responsável, aludindo à menor disponibilidade financeira das famílias para viajar devido às perdas de rendimentos.

O presidente da CTP deixou ainda críticas ao fim do layoff simplificado, considerando “inexplicável” o seu fim, dizendo que a continuação era “da mais elementar justiça” e “do que os empresários do turismo estavam à espera, empresários esses que há meses e meses continuam a perder dinheiro e vão aguentando os postos de trabalho”.

O que o Governo diz é que está neste momento a ter medidas de apoio à retoma. Qual retoma, no turismo, pergunto eu? Não há retoma”, afirmou aos jornalistas no final do encontro com Marcelo Rebelo de Sousa.

Francisco Calheiros lamentou ainda que o gestor António Costa Silva, que elaborou uma visão estratégica para a recuperação económica do país, não tenha tido “oportunidade de falar com ninguém ligado ao turismo”, apesar da disponibilidade da CTP.

Sendo o turismo a atividade que mais relançou a economia nos últimos anos e que neste momento está a ser a mais prejudicada, acho que faria sentido”, disse o presidente da CTP.