O Santander Totta tinha 88 mil clientes com moratórias no pagamento de créditos no final de junho, abrangendo créditos correspondentes a 22% da carteira de crédito total, segundo a informação divulgada esta quarta-feira pelo banco.

“No final do semestre, as moratórias (legal e privada) tinham abrangido mais de 88 mil clientes correspondendo a um montante superior a 8,9 mil milhões de euros de crédito (cerca de 22% da carteira total)”, lê-se nas contas do banco entre janeiro e junho, hoje divulgadas (lucros de 172,9 milhões de euros, menos 37,3% em termos homólogos).

Em junho, o Governo decidiu estender – de setembro deste ano para 31 de março de 2021 – as moratórias para créditos de empresas e particulares (que suspendem pagamentos de capital e/ou juros) e alargou também as condições em que os clientes podem aceder às moratórias. Os clientes podem pedir acesso às moratórias até final de setembro.

Há ainda as moratórias privadas, da Associação Portuguesa de Bancos (APB), da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) e da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF). Estas aplicam-se aos contratos de crédito que não beneficiam da moratória pública, caso dos contratos de crédito pessoal (com exceção dos contratos de crédito ao consumo com finalidade educação, uma vez que estes já são cobertos pela moratória pública), crédito automóvel e cartões de crédito.

As moratórias de crédito foram criadas como uma ajuda a famílias e empresas penalizadas pela crise económica desencadeada pela pandemia de Covid-19.

Segundo estimativas do Banco de Portugal, divulgadas em 24 de junho no Relatório de Estabilidade Financeira, as necessidades de liquidez para a amortização regular de capital e juros de empréstimos entre abril deste ano e março de 2021 ascendem a 17,3 mil milhões no caso das empresas e a 12,2 mil milhões de euros no caso de particulares (crédito à habitação e crédito para consumo e outros fins). Ou seja, seria este o valor que empresas e famílias teriam de pagar na totalidade se não houvesse moratórias.

Na terça-feira, o banco BCP indicou que até junho aprovou mais de 120 mil moratórias de pagamento de créditos no âmbito da pandemia de Covid-19, sendo 97 mil para famílias e 26,5 mil para empresas, atingindo créditos no valor de quase nove mil milhões de euros.