Os separatistas do sul do Iémen anunciaram esta quarta-feira que abdicam da autonomia, afirmando estarem prontos para implementar o acordo de Riade, que prevê a partilha do poder com o governo, segundo o porta-voz da fação armada.

O porta-voz do Conselho de Transição do Sul, Nizar Haitham, anunciou na rede social Twitter que o grupo “renuncia à sua declaração de autonomia”, a fim de permitir a aplicação do acordo de Riade.

No final de junho, o Presidente do Iémen, Abd Rabbo Mansour Hadi, exilado na Arábia Saudita, tinha instado os separatistas a “pôr fim ao derramamento de sangue” e a respeitar um acordo de partilha do poder, nas primeiras declarações que fez sobre a declaração de autonomia do Sul, em abril.

O conflito entre o governo do Iémen, apoiado pela Arábia Saudita, e os separatistas, apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, representa uma guerra dentro da guerra no Iémen.

O chamado acordo de Riade foi assinado em novembro de 2019 e prevê a partilha do poder no Iémen do Sul entre o governo e os separatistas, mas as disposições não foram postas em prática. A Arábia Saudita declarou esta quarta-feira que tinha proposto um novo plano para “acelerar” a implementação do acordo, que prevê a criação de um novo governo no prazo de 30 dias.

De acordo com a agência oficial da Arábia Saudita, a nova proposta saudita prevê compromissos, como a formação de um governo composto por 24 ministros, com igual representação para o norte e sul, incluindo os separatistas.

Durante a guerra, os dois estados árabes sunitas, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, foram parceiros numa coligação militar que luta para expulsar os rebeldes xiitas houthi, aliados ao Irão, que se apoderaram do norte do Iémen em 2014. O impasse entre as duas frentes aliadas deu origem a conflitos violentos, ameaçando abalar a coligação liderada pela Arábia Saudita e complicando os esforços para pôr fim ao conflito, que matou mais de 112 mil pessoas.

No final de junho, a coligação militar liderada por Riade tinha destacado observadores sauditas para vigiar a aplicação de um cessar-fogo entre as forças pró-governamentais e os combatentes separatistas, após confrontos no Sul.

O Iémen encontra-se numa profunda crise e mergulhado na guerra, depois de os huthis terem derrubado o governo de Hadi, em 2014, exilado na Arábia Saudita. De acordo com as Nações Unidas, o país enfrenta a maior crise humanitária a nível mundial, com cerca de 80% da população dependente de ajuda de emergência.

Os sauditas envolveram-se na guerra em 2015, comandando a coligação árabe que apoia Hadi.