O líder do PSD/Açores considerou esta sexta-feira não ser “virtuoso” para a Terceira, em termos turísticos, um eventual abandono da operação para aquela ilha por parte da Ryanair e defendeu uma “reforma significativa” da acessibilidade aérea.

À saída de um encontro com a direção dos Açores da UMAR – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, José Manuel Bolieiro disse aos jornalistas que o mercado privado “não pode ser controlado pelas soluções e políticas públicas”, mas salvaguardou não ser “virtuoso” para a Terceira, em termos turísticos, um eventual abandono da operação para aquela ilha por parte da operadora aérea de baixo custo.

Nos Açores, a Ryanair opera, além da ilha Terceira, para São Miguel, tendo vindo a público notícias que apontam para a concentração da operação em Ponta Delgada.

O ideal seria ter uma reforma significativa da acessibilidade aérea de passageiros, para os Açores serem cada vez mais atrativos e acessíveis, independentemente de quem faz o transporte aéreo”, observou José Manuel Bolieiro.

O líder do PSD/Açores referiu que se vive num mercado aberto e vê como positivo o surgimento no concurso de obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas de outros operadores além da SATA Air Açores, assumindo-se o “interesse público da região, e da boa circulação e acessibilidade a todas as ilhas, não podendo ficar nenhuma para trás”.

A proposta que melhor servir os interesses dos açorianos é a que deve ser escolhida no concurso de obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas”, concluiu José Manuel Bolieiro.

A SATA Air Açores assegura as ligações aéreas interilhas ao abrigo das obrigações de serviço público de transporte aéreo.

Em 20 de junho, na oitava edição do Congresso da Sociedade, dedicada à ilha do Pico, o líder da estrutura regional social-democrata declarou que “a existência de preços diferentes nas ligações interilhas invalida a ideia de um mercado regional e de conhecimento dos Açores pelos açorianos”.

José Manuel Bolieiro defendeu na ocasião que, “com uma tarifa única de 60 euros, o passageiro residente escolherá a ilha de destino com base no seu interesse e não no preço”, referindo que “este é o mesmo princípio consagrado nas ligações entre os Açores e o continente”, em que é aplicado um sistema de reembolso, para os residentes no arquipélago, da diferença do bilhete comprado e o valor máximo de 134 euros, por viagem de ida e volta.

O dirigente considerou ainda haver suporte financeiro, não apenas para o período da pandemia da Covid-19, mas para, ao abrigo de uma reforma das obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas, haver um modelo “capaz de gerar retorno económico”.

O líder do PSD/Açores lamentou, igualmente, o “atraso registado” na elaboração do caderno de encargos para a revisão das obrigações de serviço público de transporte aéreo interilhas, que “todos os parceiros consideram indesculpável”.