A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) criticou esta sexta-feira “a má situação geral da floresta nacional” e defendeu que são “necessárias outras e melhores políticas agrícolas e florestais”.

Mal se conjugaram condições atmosféricas propícias, logo recrudesceram os violentos incêndios florestais a provocar mortos e feridos, a queimar teres e haveres, a colocar populações rurais em pânico, como já aconteceu nestes últimos grandes incêndios”, refere a CNA, em comunicado.

A CNA “reafirma que a propaganda oficial não resolve os problemas que se mantêm na base deste flagelo que tanto drama e tanto prejuízo concentra periodicamente e em que as populações são as maiores vítimas e não são culpadas”, critica a entidade.

A floresta nacional continua desordenada em que mais vingam o eucalipto – no centro e no norte – e o sobreiro, a sul, num e no outro casos enquanto monoculturas ao serviço, sobretudo, dos interesses da grande indústria de derivados florestais”, prossegue a CNA.

A Confederação aponta que o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020 “regista a mais baixa taxa média de execução, exatamente, no investimento na floresta” e, ao mesmo tempo, “o atual Governo fez baixar as percentagens de cofinanciamento público via Orçamento do Estado em todas as medidas deste PDR 2020 para a floresta, à exceção, note-se, das taxas de cofinanciamento público para a produção super-intensiva de eucalipto em regadio”.

Denuncia que as ajudas públicas (fundo ambiental) recentes “estão a ser alvo de cobiça prática por parte de grandes grupos económicos da fileira florestal e mesmo de fora desta”, referindo que a baixa dos preços da madeira na produção são uma “circunstância que muito tem contribuído para a perda de interesse económico da floresta de produção, desde logo, nas regiões de minifúndio”.

A CNA defende, por isso, que “para alterar esta situação são necessárias outras e melhores políticas agrícolas e florestais”,

Para ajudar a agricultura familiar a manter-se em atividade, a produzir bons alimentos, é necessário concretizar – com apoios públicos concretos – o Estatuto da Agricultura Familiar consagrado num decreto-lei publicado vai já fazer dois anos, a 7 de agosto”, remata.