A reabertura da Madeira ao turismo em julho “superou as expectativas”, com a passagem de 46 mil viajantes, perspetivando-se uma oferta hoteleira de 84% até final de agosto, disse o secretário madeirense que tutela o setor. O movimento no Aeroporto da Madeira vai aumentar de 60 frequências semanais efetuadas em julho para 140 em agosto, entre partidas e chegadas.

“Podemos afirmar que o mês de julho correspondeu e superou as expectativas que nós tínhamos no momento de reabertura, após todo este encerramento causado pela pandemia da Covid”, afirmou Eduardo Jesus à agência Lusa.

O governante apontou que a região registou um “bom movimento”, “com mais de 46 mil passageiros entrados e saídos e com um saldo positivo acentuado daqueles que [lá] ficaram”.

Ao nível do setor hoteleiro do arquipélago, ainda “há algumas unidades que se preparam para abrir, outras que têm já o compromisso assumido de abrir no mês de agosto”, mas “72% de toda a oferta regional de hotelaria e turismo em espaço rural está a funcionar”. Segundo Eduardo Jesus, perspetiva-se que “outros 12% devem abrir em agosto, o que significa que, até final de agosto, se terá 84% da oferta da Madeira aberta e a funcionar”.

O governante complementou que se “prevê a abertura em setembro e em outubro” de outros estabelecimento hoteleiros, apontando que “cerca de 10 não têm data prevista para abrir porque optaram por fazer obras ou outras decisões que não têm diretamente a ver com o reinicio da atividade”.

A Madeira, considerou o secretário regional, foi “fortemente penalizada” pelo facto de os destinos de origem olharem para “dados nacionais, de forma integrada, e não terem feito as distinções das regiões do país”.

Como a situação nacional não é comparável com a regional, essa assunção da informação penalizou-nos bastante e nós fomos limitados no que diz respeito à vinda de turistas de boas origens que habitualmente nos dão um fluxo bastante grande”, argumentou.

Para minimizar este efeito, foram promovidas pela Madeira mais de 80 diligências junto dos governos dos mercados emissores, “através da diplomacia, para esclarecer e informar qual a situação epidemiológica de facto da Região Autónoma da Madeira”.

Eduardo Jesus realçou que o objetivo é “passar a imagem de que a Madeira é um destino seguro e tem tomado medidas para garantir que essa segurança seja vivida, seja oferecida a quem visita e seja uma importante motivação para aqueles que trabalham na região, ganhando confiança com toda esta reabertura”.

O governante considerou ainda que “o grande desafio foi vencer necessariamente as dificuldades que se colocam ao medo que se instalou nas pessoas – de viajar – e restaurar a confiança foi o grande desígnio”. No seu entender, “a Madeira fez um grande trabalho, não só com a imagem forte que tem hoje do controlo da pandemia, sendo a única região portuguesa que não regista qualquer óbito”.

Numa primeira fase, antes da reabertura, o arquipélago “tinha 90 casos registados e apenas um ou dois casos ativos”. Após a normalização do aeroporto, “apenas soma mais 10 casos positivos”, o que revela bem que as medidas implementadas estão a surtir efeito”.

A Madeira, indicou, foi “a primeira região turística do país a implementar o manual de boas práticas, a iniciar um processo de certificação de segurança sanitária de todo o destino”. Além disso, foi “pioneira num conjunto de medidas”, como a triagem à chegada aos aeroportos.

“Toda esta operação vem agora culminar com a decisão da utilização das máscaras nos espaços públicos”, medida que entra em vigor às 00h de sábado. “Faz com que a Madeira se posicione como destino seguro, não porque queremos ou dizemos, mas porque tomamos medidas e as usamos para consolidar essa segurança que se impõe neste momento”, concluiu.

Aeroporto da Madeira passa de 60 para 140 frequências em agosto

“O movimento aeroportuário satisfaz e há perspetiva para um mês de agosto de crescimento acentuado. De julho para agosto vamos passar de 60 frequências semanais para 140”, afirmou Eduardo Jesus.

Para o governante madeirense, a situação evidencia que “a retoma se está a fazer lenta, mas de uma forma consolidada”, sendo este “o grande objetivo” do executivo, coligação PSD/CDS, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque. “Sim, a retoma já aconteceu, está a acontecer”, sublinhou.

Em termos da nacionalidade dos visitante, há “portugueses e muitos estrangeiros, acima de tudo oriundos de vários países europeus, apesar de terem chegado à Madeira cidadãos dos Estados Unidos”.

As companhias aéreas retomaram a linha da Madeira, numa primeira fase, com um número menor de frequências, mas há perspetivas de crescimento das ligações já para o mês de agosto, com a TAP, a easyjet, a Transavia, a Binter, a Sata, a Edelweiss Air, a Jet Air Fly, a Tui Fly, a Jet.2 – que “é grande novidade para o início do mês de agosto” -, a Smartwings, a Lufthansa ou a Bristish Airways.

“É uma variedade bastante grande de companhias que já conhecem o destino e que nos unem a países e origens importantes”, realçou. O governante destacou, nesta retoma, as ligações da Madeira com Lisboa e Porto, Paris, Amesterdão, Ponta Delgada – que faz a ligação também com os Estados Unidos -, Canárias, Bruxelas, Zurique, Frankfurt, Dusseldorf, Londres, Praga e vários áreas britânicas, como Manchester, Glasgow, Leeds, Edimburgo e East Midlands.

Esta programação, acrescentou, visa “retomar ligações, a retomar frequências, a continuar com parcerias antiga, no sentido de manter essas companhias, apoiá-las e fazer com que esta retoma vá ganhando cada vez mais fôlego”.

O objetivo é que a operação se possa “traduzir num maior número de pessoas a visitar a Região Autónoma da Madeira”.

Eduardo Jesus destacou “as diligências que foram feitas e negociações em curso para fomentar a vinda de turistas com os operadores turísticos”, através da Associação de Promoção da Madeira (APM), num “papel muito ativo com reuniões e encontros permanentes com operadores, companhias aéreas”.

A APM tem estado perto de todas as oportunidades que se perspetivam para a Madeira, onde também se fechou uma grande operação para o Porto Santo com os quatro maiores operadores nacionais”, referiu.

Nesta ilha, a 20 de julho teve início “uma operação importante” que envolve os operadores nacionais (a Abreu, a Sonhando, a Solferias e a Soltropicos) e dura até 21 de setembro, envolvendo cerca de 3.300 passageiros.

“Além de outras operações que estamos a apoiar e cativar para o Porto Santo, esta é grande operação que se conseguiu fechar numa batalha continuada no tempo, que mostrou empenho e vontade de todos”, afirmou.