“Sem dúvida alguma de que a hipótese de o Moto GP vir a Portugal esteve em cima da mesa. Honestamente, carece sempre do aspeto monetário que Portugal. Neste momento, julgo que não tem disponível para ter cá a prova. Automaticamente, exclui-se o Grande Prémio de Portugal do calendário. A organização tem de garantir a estabilidade económica de todas as equipas e, por outro lado, tem de garantir que as coisas se fazem com o nível de exigência reconhecido pela Dorna, que é quem organiza o campeonato. Para mim, não escondo que era um sonho tornado realidade. O que é certo é que essa decisão, se me coubesse tomá-la, era automático, era vir para Portugal. Mas não é e as coisas são mais complexas do que se pode imaginar e neste momento Portugal parece não estar no horizonte da Dorna em 2020″, dizia Miguel Oliveira em junho, em entrevista ao Observador.

Miguel Oliveira. “Era um sonho tornado realidade. Mas Portugal não tem o aspeto monetário para ter Moto GP”

No entanto, e numa época atípica onde num instante tudo muda, o sonho do piloto português da KTM pode mesmo tornar-se realidade: a Federação Internacional de Motociclismo (FIM), a Associação Internacional de Equipas de Motociclismo (IRTA) e a Dorna Sports anunciaram o cancelamento oficial dos Grandes Prémios da Argentina, da Tailândia e da Malásia em 2020, ao mesmo tempo que avançaram também com uma nova prova que se irá realizar entre 20 e 22 de novembro (a 14.ª prova para o MotoGP, porque o Grande Prémio do Qatar não se realizou, a 15.ª nos Mundiais de Moto2 e Moto3). E é aqui que entra o Autódromo Internacional do Algarve, colocado pelas revistas especializadas como grande candidato a ser confirmado no anúncio de 10 de agosto.

De acordo com a Autosport, entre outros meios que abordam também essa possibilidade, tudo aponta para que essa nova corrida adicionada ao calendário, e que nesta altura está apenas confirmado que será na Europa para evitar viagens no contexto da pandemia (o que levou ao cancelamento das provas na Argentina, na Tailândia e na Malásia) seja feita em Portugal, de forma mais concreta no Algarve, que irá receber entre 23 e 25 de outubro uma prova do Mundial de Fórmula 1. Para já, confirmou-se a data que tinha sido anunciada pelos organizadores para tomar uma decisão em relação às corridas que estavam marcadas para a América do Sul e para a Ásia.

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“Gostaria de agradecer à Dorna, a todas as equipas, às federações nacionais e aos organizadores locais por terem permitido que voltássemos à competição. Ao fazerem isso, adaptámo-nos todos os dias e teremos um Mundial de 2020 muito completo e competitivo. A localização do 15.º Grande Prémio será anunciado em breve e voltaremos mais fortes do que nunca”, comentou Jorge Viegas, presidente da FIM, em declarações ao site oficial.

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“É com grande tristeza que anunciamos o cancelamento dos Grandes Prémios da Argentina, da Tailândia e da Malásia este ano, serão ausências sentidas no calendário de 2020. A paixão dos fãs que de quando em vez vão atravessando continentes para aproveitar o Moto GP em Termas de Rio Hondo, Buriram e Sepang é incrível, conseguindo criar uma incrível atmosfera para o desporto. No entanto, estamos muito satisfeitos por anunciar que haverá mais um Grande Prémio na Europa no calendário de 2020 e por revelar o nosso acordo para manter o MotoGP em Buriram e Sepang pelo menos até 2026. Estamos ansiosos por voltar à Tailândia, à Argentina e à Malásia no próximo ano como sempre e queremos também agradecer aos fãs pela paciência e compreensão”, referiu Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna Sports, também ao site oficial do MotoGP.