A menos de uma centena de dias das presidenciais norte-americanas de 3 de novembro deste ano, uma sondagem da Ipsos para a agência Reuters demonstra que a maioria dos norte-americanos, independentemente da sua tendência política, não acredita que as eleições vão ser justas.

De acordo com aquela sondagem, divulgada esta sexta-feira, cerca de metade dos inquiridos que são elegíveis para votar, e entre eles 80% de republicanos, que responderam que uma subida do voto por correspondência vai levar a uma fraude generalizada nas eleições.

Esta preocupação, que surge sobretudo entre os eleitores republicanos, bate certo com as recentes intervenções de Donald Trump, que se tem batido contra a perspetiva de um aumento massivo do voto por correspondência e que esta semana chegou a sugerir que as eleições fossem adiadas — uma decisão para a qual não tem poderes e que já recebeu a oposição até do líder republicano no Senado, Mitch McConnell.

“Com o sufrágio universal por correspondência (e não voto antecipado, que é bom), 2020 vai ser o ano das eleições mais IMPRECISAS E FRADULENTAS da história. Será uma grande vergonha para os EUA. [Talvez se deva] adiar as eleições até as pessoas poderem votar como deve ser e em segurança?”, escreveu Donald Trump no Twitter.

Se 8 em cada 10 republicanos responderam estão “preocupados com o aumento do voto por correspondência” poder levar mais fraude nas eleições, apenas 3 em cada 10 democratas responderam da mesma forma — o que demonstra que, nesta questão, como em tantas outras na vida socio-política nos EUA, o fosso entre os dois lados é fundo.

O mesmo é demonstrado nesta sondagem quando os inquiridos foram chamados a responder sobre os seus receios de haver “supressão eleitoral”, por exemplo de alguns grupos demográficos. Nesse caso, 73% dos inquiridos responderam que também têm essa preocupação. Aqui, são os democratas que estão mais alarmados: 8 em 10, mais precisamente. No caso dos republicanos, 6 em 10 responderam da mesma forma.

A sondagem da Ipsos para a Reuters dá ainda conta de uma quase unanimidade entre os eleitores dos dois lados quanto à preocupação de “atores políticos” tentarem promover uma “fraude eleitoral organizada” de maneira a influenciarem os resultados das eleições — uma manobra que poderá passar, entre tantas outras coisas, por notícias falsas, perfis fictícios nas redes sociais e outras manobras de desinformação.

Neste caso, 74% dos eleitores disseram também estar preocupados com essa possibilidade. Aí, foi registada uam quase unanimidade entre republicanos (8 em 10) e democratas (7 em 10).