Esta sexta-feira, pelas 9h20, Domingos Monteiro, proprietário do Café Stop, situado na Avenida 29 de Março, em Esmoriz, ouviu dois tiros na rua enquanto servia os pequenos almoços, naquela que é uma zona movimentada. “Chamei imediatamente a GNR, vi muita gente na rua e percebi que alguém teria morrido ali”, conta ao Observador.

A vítima é uma mulher de 57 anos, que trabalhava “há alguns anos” como cobradora de quotas na Associação Mutualista de Santa Maria, umas portas ao lado do Café Stop. Ao sair do seu local de trabalho, preparava-se para levantar dinheiro numa caixa multibanco vizinha da Associação, quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, de 79 anos, que a matou com uma caçadeira. O homem, estacionou o seu carro num parque situado uns metros do local do crime, e dirigiu-se à vitima “já com a intenção de a matar”.

Apesar de ainda serem marido e mulher, a mulher terá terminado a relação e saído de casa há cerca de dois meses. “Não os conhecia bem, mas não havia sinais de violência. Esta costuma ser uma zona calma”, adianta Domingos Monteiro.

Do outro lado da rua, um funcionário de uma bomba de gasolina, que preferiu não ser identificado, assustou-se com os disparos, enquanto abastecia um cliente e até confundiu o “estrondo” com “um furo nos pneus”. “Só vi os socorristas da Associação onde ela trabalhava a descerem para segurarem o homem”. Surpreendidos e indignados, alguns populares aperceberam-se do crime e detiveram o alegado homicida até a GNR chegar ao local.

O comandante do Comando Territorial de Aveiro da GNR confirmou ao Observador que se tratava de um casal, “sem qualquer registo de violência doméstica”. Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz, também chamados ao local, conta ao Observador que a mulher foi atingida na cabeça e no abdómen e encontrava-se em paragem cardiorrespiratória, acabando por não resistir ao ferimentos e falecer por volta das 10h.

O mesmo bombeiro acrescenta ainda que em conversa com o irmão da vítima teve conhecimento de que o homem “encontra-se com um cancro em fase terminal”, não terá aceitado bem o fim da relação de ambos e conta que, após ter disparado duas vezes, preparava-se para carregar a arma “supostamente com a intenção de se suicidar”. Algo que acabou por não acontecer, tendo sido impedido por um dos populares.

O local foi vedado pela polícia, o balcão do banco foi encerrado temporariamente e no chão são ainda visíveis algumas manchas de sangue no chão junto à caixa multibanco. O Observador tentou contactar a Associação Mutualista de Santa Maria, mas até ao momento sem sucesso. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária.