O Novo Banco anunciou prejuízos de 553 milhões de euros no primeiro semestre, um valor que compara com 400 milhões de euros até junho do ano passado.

A esta data, a instituição liderada por António Ramalho estima que face aos resultados obtidos um pedido de 176 milhões de euros ao abrigo do mecanismo de capital contingente que protege o banco de perdas em determinados ativos, na medida em que penalizam os rácios de capital. Estes pedidos de capital que são realizados pelo Fundo de Resolução têm estado debaixo de fogo da oposição e até do próprio Governo que, não obstante ser parte dos acordos de venda do Novo Banco, pediu uma auditoria à gestão dos ativos que estão a gerar estas perdas e cujas conclusões deveriam ter sido conhecidas hoje.

Os resultados recorrentes do banco, excluindo o legado dos ativos problemáticos do BES, foram positivos em 34 milhões de euros, com a instituição a destacar a inversão face aos prejuízos apurados no primeiro trimestre do ano. Já face ao primeiro semestre de 2019, o resultado positivo representa um recuo de 70%, em linha com a degradação dos lucros apresentada pela generalizada da banca, sob o efeito da pandemia. Os resultados operacionais da operação recorrente, expurgada da herança do BES, fixaram-se em 162,2 milhões de euros, mais 7,6% do que em igual período do ano passado.

Ainda do ponto de vista positivo, realce para a redução do rácio de créditos não produtivos, os chamados NPL na sigla inglesa, para 10,2%, “aproximando-se pela primeira vez na vida do banco de um rácio de um só digito, marca importante para um banco que em 2016 tinha um rácio NPL insustentável de 33,4”.

Do lado negativo, o Novo Banco dá conta de uma desvalorização de 260 milhões de euros nos fundos de reestruturação — para um valor de mercado de 552 milhões de euros —, em resultado de um processo de reavaliação determinado pelo Banco Central Europeu. Esta perda penalizou os resultados do banco legado, onde estão concentrados os ativos problemáticos herdados do BES, a maioria dos quais estão protegidos no mecanismo de capital contingente. O Novo Banco Legacy apurou prejuízos de 493,7 milhões de euros, tendo no entanto sido reduzido em 782 milhões de euros face ao final do ano passado.