O vice-presidente da bancada parlamentar do PS João Paulo Correia afirmou esta sexta-feira que os socialistas aguardam tranquilamente a auditoria ao Novo Banco para tomarem posição e considerou que o presidente do PSD, Rui Rio, tem andado nervoso.

“Temos visto que, nos últimos dias, o dr. Rui Rio tem andado particularmente nervoso, tendo até admitido que há matéria criminal relacionada com a venda estes ativos por parte da administração do Novo Banco”, disse, em declarações à Agência Lusa.

Para o deputado socialista, Rio “deve ser consequente com as suas palavras, aquilo que sabe, as informações que tem que o levam a esse tipo de declarações. Deve fazê-las chegar ao Ministério Público (MP) para que o MP possa fazer o seu trabalho”. “O relatório da auditoria do Novo Banco está prestes a chegar ao Governo e à Assembleia da República. Importante nesta altura é aguardar, com tranquilidade, aquilo que são as conclusões da auditoria sobre os ativos tóxicos, créditos e imóveis que deviam ter ficado no BES e passaram para o Novo Banco”, continuou João Paulo Correia.

Segundo o “vice” de Ana Catarina Mendes, o resultado final do trabalho da consultora Delloite estará pronto “dentro de dias” e, perante as conclusões sobre as “decisões tomadas e os responsáveis” por elas, “aí os partidos e, neste caso concreto o PS, tomarão a sua posição”.

Auditor só apresenta conclusões preliminares. Fundo de Resolução diz a Novo Banco para parar vendas

O Governo, através do Ministério das Finanças, anunciou na noite de quinta-feira que a auditoria ao Novo Banco não vai estar concluída até sexta-feira, considerando que até à sua conclusão não deverão ser realizadas outras operações de venda de carteiras de ativos por parte da instituição bancária.

BE defende que Parlamento deve conhecer conclusões preliminares

O Bloco de Esquerda (BE) considerou esta sexta-feira que o Governo se colocou “numa posição fraca” ao permitir o adiamento da auditoria ao Novo Banco e defendeu que o Parlamento deve conhecer as conclusões preliminares porque o executivo “tem de ser escrutinado”.

“Ao ter mais uma vez aceitado este adiamento, o Governo português colocou-se a si próprio, e colocou o Estado português e o país, numa posição fraca, numa posição diminuída perante os interesses da banca, perante os interesses dos auditores, perante os interesses financeiros”, disse a deputada Mariana Mortágua à Lusa.

De acordo com a parlamentar, o executivo “já o tinha feito quando aquele contrato de venda” e “voltou a fazê-lo quando transferiu para o Novo Banco 850 milhões sem conhecer os resultados da auditoria, ao contrário do que foi prometido pelo primeiro-ministro”. Agora, o Governo “voltou a dar um sinal errado” ao “permitir que a Deloitte adiasse mais uma vez os resultados desta auditoria”, acrescentou.

O Governo anunciou na quinta-feira à noite que a auditoria ao Novo Banco não vai estar concluída hoje, considerando que até à sua conclusão não deverão ser realizadas outras operações de venda de carteiras de ativos por parte da instituição bancária. Em comunicado, o Ministério das Finanças refere que hoje se realiza “uma reunião do Comité de Acompanhamento Operacional da auditoria ao Novo Banco, órgão que é composto pelo Fundo de Resolução, pelo Novo Banco, enquanto entidade auditada, e pela Deloitte, enquanto auditor independente selecionado para a realização da referida auditoria”.

“Na sequência da insistência do Governo para se concluir a auditoria, o Ministério das Finanças, que não integra o mencionado Comité de Acompanhamento Operacional, foi informado de que, nessa reunião, o auditor independente apresentará as conclusões preliminares de um conjunto de secções integrantes do relatório de auditoria, para efeitos do exercício de contraditório pela entidade auditada e solicitação de eventuais esclarecimentos adicionais por parte do Fundo de Resolução”, adianta o documento.

Mariana Mortágua destacou que “esta auditoria é essencial para travar este negócio ruinoso, é essencial, e é urgente” que os deputados “possam conhecer os seus resultados”. “Defendemos por isso que o Governo partilhe com a Assembleia da República todos os resultados, preliminares ou não, que conhecer sobre a auditoria. E não digo isto de forma leve, o Parlamento deve conhecer todos os resultados porque o Governo já provou que toma decisões erradas quando se trata da banca, e tem de ser escrutinado”, vincou.

Na sua ótica, a opinião pública deve saber “o que é que se passa no Novo Banco, que decisões é que estão a ser tomadas e em que sentido é que elas estão a ser tomadas”. Apesar de ser “uma auditoria complexa”, a deputada bloquista assinalou que a Deloitte “recebeu 3 milhões para fazer esta auditoria, está há vários meses a fazê-la, tem vários técnicos a trabalhar nela”. “A auditoria já deveria ter sido concluída há uns meses, julho já era uma prazo alargado face ao prazo inicial e, por isso, aquilo que o Governo tem de exigir, na defesa do melhor interesse público, é que não haja atrasos”, frisou.

A deputada do BE criticou também que “toda a gente se pode atrasar com o Governo, quando está em causa o interesse público todos os atrasos são aceites, só não é aceite é o atraso do pagamento do Estado ao privado”, referindo-se à última transferência para o Fundo de Resolução do Novo Banco. “É obviamente inaceitável, se a auditoria estava atrasada, então o pagamento também se atrasava e esperava para conhecer os resultados da auditoria”, insistiu.

PCP acusa Governo de “chegar tarde” à suspensão de venda de ativos

O PCP criticou esta sexta-feira o atraso na auditoria ao Novo Banco e apontou ao Governo por “chegar tarde” e só agora defender que não devem ser feitas novas vendas de carteiras de ativos.

Em declarações à Lusa, o deputado comunista Duarte Alves afirmou que o executivo do PS “chega tarde” a esta posição porque “havia muitos indícios, muitos alertas também que foram feitos pelo PCP em vários momentos de discussão sobre estes temas do Novo Banco”. “E, portanto, o Governo já deveria ter tomado uma medida relativamente à gestão de ativos do Novo Banco há muito tempo”, disse ainda.

Desde 2018, alegou, que o PCP “chamava a atenção da gestão dos ativos por parte da Lone Star e da forma como poderiam estar a ser geridos de forma a beneficiar de interesses da própria Lone Star”. Para Duarte Alves, deputado da comissão de Orçamento e Finanças, “não há justificação para atrasar a entrega dessa auditoria”, que é “importante” e que “deve fazer uma análise cabal daquilo que foi a gestão de ativos no Novo Banco”.