O referendo do Brexit levou a um aumento da emigração no Reino Unido, sobretudo de cidadãos com elevadas habilitações literárias, rumo a países da União Europeia, revela um estudo feito pela Universidade de Oxford em parceria com várias instituições académicas alemãs.

De acordo com o estudo, que foi baseado na análise de estatísticas oficiais do Reino Unido e dos Estados-membros da UE e também em trabalho de campo feito pelos investigadores, a emigração no Reino Unido para países da UE aumentou em 30% após o referendo de 2016, enquanto os níveis de emigração nos restantes Estados-membros se mantiveram estáveis.

Em simultâneo, os emigrantes com origem no Reino Unido são aqueles que, em comparação com outros países, têm mais habilitações literárias, mais qualificações profissionais e salários mais elevados — um dado que vai ao encontro do temido efeito de “brain drain“, ou fuga de talentos, antecipado pelos críticos do Brexit.

O referendo do Brexit teve também um efeito significativo nos cidadãos britânicos que já se encontravam emigrados noutros países da UE: o número de pedidos de passaporte do país de acolhimento aumentou em 500% entre os britânicos. Na Alemanha, esse aumento foi de 2.000%.

Em declarações ao jornal The Guardian, um dos autores do estudo, Daniel Auer, salientou que “este aumento dos números é de uma magnitude que seria esperada num país que foi atingido por uma crise económica ou política de grande dimensão”.

Um conjunto de entrevistas feitas pelos investigadores a emigrantes britânicos na Alemanha deixou claro um padrão de motivações relacionado com a incerteza gerada pelo referendo do Brexit. “Estamos a observar um novo fenómeno de migração social e uma redefinição do que significa ser britânico-europeu“, observou outro dos autores do estudo, Daniel Tetlow, ao mesmo jornal.