O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Síria disse este domingo que uma empresa petrolífera americana assinou um acordo com um grupo de rebeldes liderados pelos curdos, que controlam os campos de petróleo do nordeste do país, para “roubar” o petróleo sírio.

Segundo a Reuters, uma declaração do dito ministério deu conta do sucedido sem nunca nomear a empresa envolvida no acordo com as Forças Democráticas da Síria (SDF), aliança que capturou faixas do norte e leste da Síria ao Estado Islâmico com a ajuda dos EUA. Damasco prontamente condenou “veementemente” o acordo assinado entre “a milícia al-Qasd (SDF) e uma empresa petrolífera americana para roubar o petróleo da Síria sob o patrocínio e apoio do governo americano”. “Este contrato é nulo e sem base legal”, lê-se ainda no dito comunicado.

Nenhum dos dois alegados intervenientes comentou a acusação, mas o vice-presidente norte-americano Mike Pompeo comentou o acordo numa audiência do Comité de Relações Exteriores do Senado dos EUA na passada quinta-feira.

A senadora republicana Lindsey Graham terá comentado nessa mesma audiência que o comandante geral do SDF, Mazloum Abdi, referiu um acordo assinado com uma empresa americana para “modernizar os campos de petróleo no nordeste da Síria”. Grahm perguntou a Pompeo se o governo apoiava esta situação e o vice de Donald Trump disse que sim sem hesitar. “O acordo demorou um pouco mais do que esperávamos mas agora estamos em fase de implementação”, referiu.

Antes do início da guerra civil, a Síria produziu cerca de 380 mil barris de petróleo, isto depois de terem sido reprimidos os protestos de 2011 com ajuda do Irão e da Rússia, que apoiaram o governo do presidente Bashar al-Assad — os Estados Unidos apoiavam a oposição. Desde então Damasco perdeu o controlo da maioria dos campos de petróleo e tem sido alvo de várias sanções económicas impostas pela comunidade internacional.

Donald Trump chegou a anunciar uma redução do número de tropas no nordeste da Síria, mas disse também que manteria uma pequeno número de forças americanas no sítio “onde eles têm petróleo”. Mais tarde, no final do ano passado, o Pentágono disse que as receitas dos campo petrolíferos iriam para o SDF.