Há 950 quilómetros de rede ferroviária em Portugal que não têm um sistema de controlo de velocidade (o chamado Convel), disse esta segunda-feira Carlos Fernandes, vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP). O sistema foi instalado em apenas 1.600 quilómetros da rede e, segundo o gestor, “do ponto de vista técnico”, está já a ficar “ultrapassado”, embora seja “fiável”. Existe na linha do Norte e na generalidade dos comboios de passageiros, mas não no veículo de manutenção que, na sexta-feira, foi abalroado por um comboio, em Soure, matando duas pessoas.

“Estamos perante uma tecnologia que está relativamente ultrapassada, mas é a que está instalada na rede e é com essa que temos de continuar a conviver nos próximos anos”, afirmou Carlos Fernandes. Isto porque para funcionar todos os sistemas têm de estar equipados com a mesma tecnologia, desde a linha até aos comboios, e ela só fica operacional depois de ser instalada a sinalização eletrónica na infraestruturas. E este tem sido um processo demorado porque avança à medida que é feita a modernização da rede ferroviária, um processo de décadas.

A IP está há dois anos a tentar instalar o mesmo sistema em todos os veículos de manutenção, depois de uma recomendação do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF). Na justificação da empresa, o processo prolongou-se porque a dona da patente, a Bombardier, não se mostrou disponível para o fabrico e várias empresas recusaram a proposta.

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