A instalação de depósitos de aço com 20 mil litros de água é um dos investimentos dos compartes dos baldios de Moura da Serra, em Arganil, para prevenir e combater os incêndios, disseram esta terça-feira os promotores.

O projeto “Aldeias mais seguras”, lançado este ano, contempla “uma abordagem mais integrada” de defesa da floresta e das populações e uma aposta na criação de emprego no interior, afirmou à agência Lusa o presidente do conselho diretivo dos compartes dos baldios de Moura da Serra, Michael Gonçalves.

“A floresta precisa de mais intervenção e nós queremos responder mais àquilo que são as nossas responsabilidades”, declarou o antigo jornalista, de 41 anos, cuja família possui uma queijaria e um rebanho com cerca de 200 cabras.

No dia 25 de julho, foi inaugurado o primeiro de seis depósitos na Relva Velha, a cerca de 900 metros de altitude, em plena serra do Açor, numa cerimónia que contou com a participação do presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa.

Os custos com a produção e a colocação de cada reservatório rondam os 10 mil euros, devendo a segunda unidade ser instalada ainda este ano.

Michael Gonçalves explicou que os compartes têm contado com diversos apoios locais, o que permite atenuar o esforço financeiro da organização. O plano passa por dotar seis aldeias de outros tantos depósitos, um processo em que colabora a Ecopipe, empresa do concelho que produz tubos de aço na Zona Industrial da Relvinha, freguesia de Sarzedo, no concelho de Arganil (distrito de Coimbra).

O responsável disse que a despesa inicial é assumida pelos compartes, que pretendem reunir 50% do investimento total junto das comissões de melhoramentos das povoações abrangidas, da União de Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra e do município de Arganil.

Numa primeira fase, os reservatórios estão equipados para reabastecer as viaturas de bombeiros envolvidas no combate a incêndios florestais na região. No futuro, os promotores pretendem fazer a sua ligação às bocas de incêndio das povoações, podendo nalguns casos ser assegurada também a distribuição de água para consumo humano.

“Queremos ser parte da solução”, enfatizou o líder dos baldios de Moura da Serra, cuja atual direção tem como vice-presidente António Pedro, diretor comercial da Ecopipe, também ele entusiasta da iniciativa “Aldeias mais seguras”.

António Pedro recordou à Lusa que a ideia de colocar depósitos de aço em “pontos estratégicos” da antiga freguesia de Moura da Serra nasceu naquela empresa.

Em 2017, os grandes incêndios que assolaram a região rondaram a unidade industrial. “Aqui, na Relvinha, a água tem pouca pressão”, disse, para explicar que a Ecopipe, tirando partido da tecnologia em que assenta o seu negócio, montou no exterior dois reservatórios de aço que permitem armazenar 40 mil litros de água da chuva.

Em caso de necessidade, há “mais 20 mil litros de água acumulada na estrutura tubular” ligada à cobertura da fábrica, acrescentou António Pedro.

Também em julho, ao abrigo da mesma iniciativa comunitária, o conselho diretivo, com recursos financeiros próprios, comprou uma viatura “equipada com um ‘kit’ de combate a incêndios florestais e equipamentos de silvicultura”, tendo ainda contratado dois trabalhadores.

“As suas funções serão a gestão do combustível existente nos baldios, manutenção dos pontos de água, vigilância e patrulhamento e apoio aos compartes em diversas vertentes”, anunciou a organização.

O projeto “Aldeias mais seguras” inclui a gestão de biomassa, a instalação e manutenção dos seis depósitos, a reflorestação das áreas ardidas, a construção de zona de lazer, o apoio aos compartes e o aproveitamento dos diferentes recursos naturais nos baldios, cuja área total ronda os 500 hectares.