A Sociedade Moçambicana de Cabotagem (SMC), que gere o projeto de revitalização do transporte de carga marítimo, disponibilizou-se para transportar carga e bens que poderão ajudar deslocados de vítimas de violência armada no norte do país, informa um comunicado oficial.

A SMC decidiu apoiar a iniciativa, disponibilizando espaço nos seus navios para que bens e donativos recolhidos possam chegar mais rapidamente e de forma íntegra a Nampula e a Pemba, onde está concentrada a maioria dos deslocados”, disse Pedro Monjardino, gestor de projeto na SMC, citado em comunicado.

“Nós temos a vantagem de ter um meio de transporte para poder levar mantimentos e outros bens a quem mais precisa, não podíamos ficar indiferentes”, acrescenta. A iniciativa acontece no âmbito da campanha “Todos por Cabo Delgado”, do Movimento Vamoz.

A primeira fase da campanha decorreu entre 28 de julho e 5 de agosto com o objetivo de encher dois contentores, juntando o esforço de várias empresas e sociedade civil. A coordenadora do Movimento Vamoz, Joana Martins, disse que “a adesão [à campanha] foi um pouco tímida”, e o grupo não conseguiu até agora encher os dois contentores previstos para apoiar os afetados.

Os promotores da iniciativa estão já a organizar uma segunda fase da campanha que passará pela recolha de bens nos supermercados, bem como outras ações futuras.

“Isto não é um sprint, mas sim uma maratona que vai durar muito tempo tendo em conta as imensas necessidades da população de Cabo Delgado”, acrescentou. Entre os vários parceiros da ação, destacam-se o Porto de Maputo, Makobo, Movimento Ativistas de Moçambique e Universidade Católica.

A capital provincial, Pemba, tem sido o principal refúgio para as pessoas que procuram abrigo e segurança em Cabo Delgado, mas há quem prefira fugir para outros lugares, incluindo Niassa e Nampula, províncias vizinhas.

De acordo com as Nações Unidas, a violência armada em Cabo Delgado forçou à fuga de 250.000 pessoas de distritos afetados pela insegurança, mais a norte da província. O conflito já matou, pelo menos, 1.000 pessoas, e algumas das ações dos grupos armados têm sido reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).