O Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) anunciaram esta quarta-feira que vão atribuir um financiamento de 300 milhões de euros para o combate à pandemia de Covid-19 em África.

Os fundos irão assegurar que negócios pelo continente tenham capital para sustentar postos de trabalho e manter importações vitais”, refere o BEI num comunicado divulgado esta quarta-feira.

No documento, a instituição de financiamento da União Europeia adianta que “destina pelo menos um quarto do capital para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, ajudando África a maximizar as oportunidades para uma recuperação ‘verde'”.

O pacote de apoio é o primeiro de uma reposta acelerada à Covid-19 destinada à região da África Subsaariana, sob a alçada da iniciativa “Equipa Europa” do BEI.

A iniciativa, composta por um pacote total de 6,7 mil milhões de euros, pretende apoiar os países mais vulneráveis e expostos à pandemia, contribuindo para uma resposta imediata à crise sanitária e para mitigar os impactos sociais e económicos.

O financiamento destinado à África Subsaariana está estruturado em duas partes.

O pacote redistribui 200 milhões de euros de fundos anteriormente alocados para investimentos relacionados com o comércio, dirigindo-os especificamente para setores mais impactados pela pandemia. Ao reconhecer a necessidade urgente de apoio, o Afreximbank e o BEI injetam também mais 100 milhões de euros ao pacote”, acrescenta o Banco Europeu de Investimento.

O BEI sublinha que esta combinação de fundos, “aliada à posição do Afreximbank no terreno, significa que o apoio pode ser imediatamente ativado”.

Além disso, o profundo conhecimento e larga presença do Afreximbank nos mercados africanos vão assegurar que o capital alcança negócios e comunidades em todas as áreas do continente”, reforça o BEI.

Parte deste investimento vai permitir o comércio transnacional de equipamentos e materiais médicos necessários para abrandar a propagação da Covid-19.

O BEI destaca igualmente que “duas áreas-chave em África são as mulheres empresárias e a ‘Revolução Verde'”, pelo que pelo menos 25% dos fundos alocados serão destinados a ‘projetos verdes’, incluindo “energia renovável, eficiência energética e medidas para a adaptação às alterações climáticas”.

O presidente do Afreximbank, Benedict Oramah, considerou que o financiamento esta quarta-feira anunciado é bem recebido “não apenas porque responde às necessidades urgentes, mas porque é alocado com urgência”.

Com a experiência conjunta do Afreximbank e do BEI, o apoio vai alcançar rapidamente os mais afetados”, vincou.

Já o vice-presidente do BEI, Ambroise Fayolle, destacou que a instituição europeia está “mais uma vez” a fortalecer a cooperação com o Afreximbank e que este financiamento conjunto “vai desbloquear o investimento médico e assegurar que o investimento para a ação climática e corte da utilização energética e das emissões não é atrasado”.

Em África, há 21.050 mortos confirmados em mais de 976 mil infetados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de casos e de mortos (4.821 infetados e 83 óbitos), seguindo-se Cabo Verde (2.631 casos e 26 mortos), Guiné-Bissau (2.032 casos e 27 mortos), Moçambique (2.079 casos e 15 mortos), Angola (1.344 infetados e 59 mortos) e São Tomé e Príncipe (878 casos e 15 mortos).